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Postos registram alta de combustíveis sem aumento da Petrobras

Distribuidoras elevam valores no DF, Paraná e Bahia; guerra no Oriente Médio e importação mais cara pressionam o mercado
07 mar 2026 às 10:29
Por: Band
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Representantes de postos de combustíveis do Distrito Federal e do Paraná relatam que gasolina e diesel começaram a chegar mais caros das distribuidoras nesta semana, e parte dos estabelecimentos já iniciou o repasse ao consumidor, mesmo sem anúncio de reajuste por parte da Petrobras.


Postos relatam alta sem reajuste da estatal

No Distrito Federal, entidades que representam o setor informam que o valor pago pelos revendedores às distribuidoras aumentou, o que já provoca elevação no preço da gasolina e do diesel nas bombas.


No Paraná, o sindicato dos revendedores também afirma que as distribuidoras elevaram os preços dos combustíveis nos últimos dias, acendendo o alerta entre donos de postos e motoristas.

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Até o momento, a Petrobras não comunicou qualquer alteração na sua política de preços nem reajustes nas refinarias que abastecem a maior parte do país.


Segundo James Thorp Neto, presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis (Fecombustíveis), a decisão de repassar ou não o aumento ao consumidor cabe a cada revendedor.


"O momento é delicado e, para o posto, reajustar também não é bom, porque afasta o cliente. Mas muitos não têm como segurar o custo mais alto das distribuidoras", afirma.


Refinaria privada eleva valores na Bahia

Na Bahia, onde a Refinaria de Mataripe é operada por uma empresa privada, o reajuste da gasolina para as distribuidoras chega a quase 12%, segundo o setor, o que torna o litro nas bombas cerca de R$ 0,30 mais caro para o consumidor.


A empresa segue a cotação do petróleo no mercado internacional, que sofre impacto direto da guerra no Oriente Médio e da maior volatilidade nas últimas semanas.


Dependência de importação e suspeita de oportunismo

Atualmente, cerca de 70% do combustível vendido no Brasil é produzido pela Petrobras. O restante precisa ser importado de outros países, o que torna o mercado interno sensível às variações externas.


Com a disparada do preço do petróleo no mercado internacional, a importação do produto ficou mais cara, o que, em tese, deveria afetar principalmente quem compra de fora.


Para o especialista em gestão do mercado de combustíveis Nélio Wanderley, essa alta externa justifica parte do movimento, mas não explica todos os reajustes observados.


"Na importação se justifica o preço maior. O que pode estar acontecendo é oportunismo de quem compra direto da Petrobras e, mesmo assim, aumenta o valor", avalia.


Ele ressalta que é importante o acompanhamento de órgãos de fiscalização para verificar a formação de preços e evitar abusos ao consumidor.


Consumidor teme impacto no orçamento

Em Curitiba, a maioria dos postos ainda não aumentou o preço da gasolina e do diesel, mas muitos motoristas já demonstram preocupação com a possibilidade de novos reajustes.


"Se subir mais, vai faltar dinheiro para alimentação e outras despesas de casa", diz o vendedor Ademir Ferreira.


A dentista Lorena Guimarães teme o efeito em cadeia da alta dos combustíveis sobre o custo de vida.

"Quando a gasolina sobe, tudo fica mais caro: mercado, remédio, conta de luz. A gente só torce para que isso se resolva logo", afirma.

Entidades do setor acompanham o cenário internacional e dizem que o quadro é de incerteza, o que mantém revendedores e consumidores em alerta diante de possíveis novos aumentos.

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