Economia

TCU cria gratificação e salários que podem chegar a R$ 66 mil

13 jun 2026 às 10:49

O Tribunal de Contas da União (TCU) estabeleceu um novo benefício financeiro interno que eleva substancialmente os vencimentos de servidores que ocupam cargos de direção, chefia e assessoria de gabinete. A medida, batizada oficialmente de "gratificação por atuação de alta complexidade", permite que remunerações que já orbitavam próximas ao teto do funcionalismo público federal, fixado em R$ 46 mil mensais, alcancem o patamar de até R$ 66 mil.


A criação do adicional ocorre em um momento sensível, pouco tempo após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter proibido mecanismos semelhantes de acréscimo salarial — conhecidos popularmente no debate público como "penduricalhos" —, que eram voltados especificamente para integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público. No entanto, como a decisão da Suprema Corte não abrangeu explicitamente os tribunais de contas, o TCU encontrou brecha jurídica para avançar com o ato normativo interno.


Isenção de impostos potencializa ganho líquido


Além de elevar os vencimentos brutos acima do limite constitucional permitido para o funcionalismo, a nova gratificação instituída pelo tribunal traz um diferencial financeiro significativo: o adicional é isento de cobranças tributárias, o que inclui a dispensa do desconto do Imposto de Renda (IR) na fonte e de contribuições previdenciárias. Esse aspecto técnico potencializa o aumento líquido real depositado nas contas dos beneficiários.


O impacto orçamentário total da medida e a lista detalhada de quantos cargos em comissão serão afetados pela folha suplementar ainda não foram detalhados de forma pormenorizada no portal de transparência do órgão fiscalizador.


Posicionamento e justificativa da Corte


Em nota oficial distribuída à imprensa, o TCU justificou a implementação da vantagem pecuniária afirmando que a regra é aplicada a um grupo estrito e selecionado de servidores com alta responsabilidade técnica.


A defesa do tribunal argumenta ainda que o novo modelo regulatório adota os mesmos parâmetros de gratificações de comando que já são praticadas por outros tribunais superiores do país, citando nominalmente as estruturas do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Com esse posicionamento, a instituição busca respaldar a legalidade e a conformidade administrativa da medida frente às práticas vigentes no Judiciário nacional.

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