Na carta de dez páginas divulgada nas redes sociais, Casares afirma que o clube passou a viver nos últimos meses "um ambiente de intensa instabilidade, marcado por ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo". Ele nega qualquer irregularidade e diz que sua renúncia não representa uma confissão de culpa.
"Minha renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram dirigidas", afirma Casares no documento. "Renuncio à Presidência para preservar minha saúde e proteger minha família. (...) Renuncio, sim, ao ambiente de conspirações, distorções, mentiras e disputas de poder que ultrapassaram os limites democráticos."
Ao renunciar antes da Assembleia Geral de sócios que confirmaria o impeachment, Casares evita a possibilidade de se tornar inelegível por dez anos, mantendo seus direitos políticos no clube.
Os bastidores da crise
A saída de Julio Casares é o ápice de uma crise política que se intensificou no final de 2025 e culminou com a abertura de investigações pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. As apurações miram uma série de denúncias, incluindo a venda ilegal de camarotes no MorumBIS – que teve uma operação de busca e apreensão deflagrada nesta quarta (21) – e movimentações financeiras atípicas apontadas por relatórios do Coaf.
Os relatórios indicam saques de até R$ 11 milhões em espécie das contas do clube e depósitos fracionados que somam R$ 1,5 milhão na conta de Casares. O ex-presidente sempre alegou que as movimentações são lícitas e seriam esclarecidas. A crise levou ao rompimento com aliados e ao pedido de renúncia por parte de torcidas organizadas, que criticavam a falta de transparência e o que chamavam de "gestão temerária".
Próximos passos do São Paulo
Com a efetivação de Harry Massis Júnior na presidência, o clube busca agora estabilidade para seguir a temporada. Em suas primeiras declarações como interino, Massis afirmou que assume "com muito respeito à história dessa instituição" e que as investigações em andamento "precisam ser tratadas com seriedade".
O novo presidente, que segundo apuração da Itatiaia era pouco integrado por Casares nas decisões do dia a dia, tem como primeiros desafios se aprofundar na situação dos departamentos do clube e lidar com as demandas do mercado de transferências. O técnico Hernán Crespo já havia declarado que a equipe precisa de clareza na diretoria e de movimentações no mercado para reforçar o elenco, que é considerado curto.
Apesar da renúncia, a investigação policial sobre as denúncias de irregularidades durante a gestão de Casares continua. Dentro do clube, o foco se volta para a administração de Harry Massis, que terá a missão de pacificar o ambiente político e comandar o São Paulo até as eleições no final de 2026.