O cenário geopolítico no Oriente Médio pode provocar uma mudança drástica na Copa do Mundo de 2026. O Ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Doyanmali, afirmou que "não há condições" de a seleção disputar o Mundial em meio aos ataques sofridos por Estados Unidos e Israel.
A possível retirada dos iranianos, que conquistaram a vaga com uma campanha sólida nas Eliminatórias, coloca a FIFA em estado de alerta e gera discussões sobre multas milionárias e quem herdará a vaga no Grupo G.
Punições e o fator "força maior"
A saída de uma seleção às vésperas do torneio é tratada com rigor pela FIFA. Segundo especialistas em direito desportivo, o abandono pode gerar:
- Multas pesadas: O regulamento prevê o pagamento de até 500 mil francos suíços (cerca de R$ 3,2 milhões) se a desistência ocorrer a menos de 30 dias da abertura.
- Devolução de verbas: O país teria de reembolsar todos os valores recebidos para a preparação.
- Suspensão de futuros torneios: A Federação Iraniana pode ser excluída de competições futuras.
Contudo, o artigo 6.3 do regulamento menciona casos de "força maior". Por se tratar de um contexto de guerra e ataques ao território nacional, a FIFA pode isentar o Irã das sanções financeiras e disciplinares.
Quem assume a vaga? Entenda o sistema
Caso o Irã oficialize a saída, a FIFA tem "exclusivo critério" para definir o substituto. A solução mais provável é o uso do sistema "lucky loser" (perdedor sortudo):
Prioridade asiática: O Iraque surge como favorito. Se os iraquianos perderem a repescagem mundial em março (contra Bolívia ou Suriname), seriam os primeiros da fila.
Segunda opção: Se o Iraque se classificar por conta própria, os Emirados Árabes Unidos aparecem como o melhor asiático fora da Copa.
Outras alternativas: A vaga também poderia ir para o perdedor do confronto entre Bolívia e Suriname, mantendo o equilíbrio de continentes no grupo.
O Grupo G e a logística nos Estados Unidos
O Irã estava sorteado no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. A seleção tinha jogos marcados em cidades americanas como Inglewood (Califórnia) e Seattle (Washington).
O presidente dos EUA, Donald Trump, deu declarações ambíguas sobre o tema. Inicialmente, afirmou que o país está "à beira do colapso", mas posteriormente reforçou, via Gianni Infantino (presidente da FIFA), que a seleção iraniana seria bem-vinda para competir em solo americano.
Entenda o conflito: Por que o Irã está sob ataque?
A crise escalou na madrugada de 28 de fevereiro, quando EUA e Israel iniciaram ofensivas contra o programa nuclear iraniano. O conflito resultou na morte do líder supremo, o Aiatolá Ali Khamenei.
Com bombardeios atingindo refinarias e a ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz, o preço do petróleo disparou globalmente. O Irã respondeu com ataques a bases e alvos em países vizinhos, como Catar e Arábia Saudita, tornando a logística da seleção nacional inviável.