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Que inveja dos argentinos... E onde estão os nossos craques?

Argentina fará sua terceira final nas últimas quatro Copas
16 jul 2026 às 11:53
Por:
Thomas Coex

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Pode confessar... Assim como eu, você sentiu aquela inveja da Argentina, finalista da Copa do Mundo de 2026. Não adiantou se compadecer com Cabo Verde, nossa segunda seleção nesta Copa. Deu Argentina! Não adiantou vibrar com a arrancada do Egito, que esteve perto de chegar nas quartas de final pela primeira vez. Tomou a virada... Deu Argentina! Secamos os hermanos contra a Suíça e parecia que iria dar certo... Deu Argentina! E acreditamos que a Inglaterra pudesse trazer uma alegria nessa Copa. Amarelou... Deu Argentina!

Essa sequência de jogos repletos de superação pela nossa maior rival nos faz refletir: eles são melhores que nós? E o que acontece com nossos craques?

Essa reflexão é feita, sobretudo, para quem viu gerações distintas da Seleção Brasileira. No passado, até o período em que comemoramos o nosso quinto título mundial, parávamos para ver a Seleção Brasileira com a certeza da vitória. Era um time temido, que impunha respeito independente do adversário. Felizes são os mais antigos, como nossos pais, nossos avós, que tiveram o privilégio de ver Pelé, Jairzinho, Tostão, Gérson, Carlos Alberto Torres entre outros...

Mas ficamos saciados da vitória com Romário, Bebeto, Dunga, Taffarel, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Cafú... Lamento pelos torcedores mais jovens que ainda não saborearam uma conquista de Copa do Mundo.

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Os nomes citados acima fizeram parte dos últimos esquadrões campeões, em 1994 e 2002. Timaços! Detalhe: muita gente boa ficou de fora em razão da concorrência naquele momento. A pergunta é: será que seremos capazes de ter novamente uma nova Seleção Brasileira campeão mundial? É possível extrair vencedores da atual geração de atletas, que se preocupa com marcas, cabelo, tatuagens, fones de ouvido, celulares, redes sociais? Fica claro que o caminho para a conquista de uma Copa do Mundo não é por aí.

Perdeu-se a essência de vestir a camisa amarela e a derrota não dói mais. Não impacta. Vida que segue com ou sem a Virgínia... Deveria ser o contrário. Um evento dessa grandeza atrai as atenções de todo o planeta. E quem fosse escolhido para defender a Seleção Brasileira deveria ter em mente que o fracasso é inaceitável. E os fracassos têm se repetido, se tornaram costumeiros. Talvez o ‘xis’ da questão esteja aí. Quem é convocado representa exclusivamente os interesses da CBF? Ou será que parte para a Copa com o mínimo de compaixão pelo anseio de toda uma nação? É de se pensar.

O fato é que não somos mais temidos. Em outras épocas, era melhor ter uma derrota antes para evitar um confronto com a Seleção Brasileira. Agora, a visão que os adversários têm sobre nós é que enfrentar os jogadores brasileiros parece ser o caminho mais fácil. A Noruega fez isso. A Noruega, cujo melhor resultado na história das Copas foi uma chegada nas quartas de final. E só.

No Mundial de 2026, não vencemos o Marrocos, sofremos para derrotar o Japão, situações que eram impensáveis no passado. Ambos evoluíram, o que é ótimo para o futebol. Torna o esporte mais competitivo. Mas fica a questão: e nós? Paramos no tempo? Retrocedemos?

 

Astros soberanos

Nesse quesito, vale dar um passo para traz e buscar inspiração justamente na seleção que muitos de nós torcemos contra. Na Copa do Mundo de 2026, a finalista Argentina já mostrou que não aceita a derrota, não aceita o fracasso. São os atuais campeões e estão na eminência de mais um título. É verdade que eles têm um ser fenomenal: Lionel Messi. Aos 39 anos, Messi vem tendo a sua melhor das seis Copas que disputou. Protagonista, líder, decisivo, artilheiro! Oito gols nesta edição, a Copa em que ele mais balançou as redes. E com esse desempenho, é o jogador que mais fez gols na história dos Mundiais. Já são 21 gols e essa conta ainda pode aumentar.

No entanto, Messi não colocou a Argentina sozinho nesta decisão. Tem todo um time que, sim, depende dele. Mas que joga por ele. Estende o tapete para que o camisa 10 brilhe. Essa mistura de talento, vontade, persistência e raça constrói uma seleção a joga pelo seu país, joga pela glória, joga futebol...

 

Apogeu

Em 2022, a Argentina acabou com um jejum de 36 anos. Foi um longo hiato entre o segundo título conquistado em 1986 e o tricampeonato mundial. Antes, a Argentina era tratada como uma ‘amarelona’. Mesmo com Messi em campo, era taxada como incapaz de vencer uma Copa do Mundo. Foi resiliente. Se reinventou. Trocou o ‘pneu com o carro andando’ durante a Copa passada e comemorou o tri.

E começou a Copa do Mundo de 2026 com moral pela conquista. Foi para a América do Norte com boa parte do time campeão quatro anos antes. E já surgiu o preconceito, afinal de contas, a Argentina foi taxada de envelhecida. O favoritismo se voltou para a badalada França e as apostas mostravam que a Argentina seria incapaz de ser campeã novamente. Ainda não venceu, é verdade. Tem o maior e o principal desafio pela frente: a final contra a Espanha. Mas chegou na decisão! Superou obstáculos. Saiu da condição de um time eliminado diversas vezes durante a Copa para uma vaga na final.

Aliás, será a terceira decisão da Argentina nas últimas quatro edições da Copa do Mundo.

Enquanto a Argentina reassumiu o apogeu no universo do futebol, acumulamos fracassos. Não vencemos uma seleção europeia num jogo de mata-mata de Copa do Mundo desde a conquista do penta, em 2002. Quem viu a conquista da quinta estrela mantém viva a lembrança de como é bom ser campeão. Por hora, nos resta secar. Quem já torceu contra a Argentina, obviamente, irá torcer para a Espanha na decisão inédita do próximo domingo (19). É claro que essa arrancada da Argentina arrebanhou seguidores e contagiou corações. Sim. Vai ter brasileiro torcendo por mais um título de Messi e companhia.

É bom lembrar que ninguém vence na véspera e apesar de toda a saga até aqui tem uma gigante do outro lado. A certeza que temos é que Espanha e Argentina farão um jogo imperdível, uma final digna das duas principais forças do futebol na atualidade. É necessário reconhecer que as duas estão absurdamente acima da gente. Cada uma com suas virtudes, com suas características, com seus craques... E o que Espanha e Argentina têm feito de diferente nesta Copa que lhes colocou na final? Estão, simplesmente, jogando futebol.

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