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Che é celebrado em Cuba e na Bolívia 50 anos após sua morte

02 out 2017 às 15:39

Para os 50 anos de sua morte na selva boliviana, Ernesto "Che" Guevara, uma figura mítica da ação revolucionária armada durante a Guerra Fria, receberá homenagens em Cuba e na Bolívia.

Em Cuba, onde todos os alunos começam o dia prestando o sermão dos "pioneiros", prometendo "ser como Che", no mausoléu que abriga os restos mortais do "heroico guerrilheiro" desde 1997 em Santa Clara (Centro), estão programadas cerimônias comemorativas.

O presidente Raúl Castro, sucessor de seu irmão Fidel, falecido no ano passado, deverá estar presente para homenagear o homem que era chamado de "O Argentino" nesta cidade, onde ganhou em 1967 uma decisiva batalha contra as tropas do ditador Fulgencio Batista (1952-1958).

Na Bolívia, seus quatro filhos, nascidos e residentes em Cuba, visitarão La Higuera, vilarejo onde o guerrilheiro foi executado em 1967 no Sul do país, anunciou o presidente Evo Morales. 

Ernesto Che Guevara foi capturado em 8 de outubro de 1967 pelo Exército boliviano depois de ser ferido em batalha, e executado no dia seguinte. As homenagens são, tradicionalmente, realizadas no dia de sua captura.

Mito vivo

Naquele 8 de outubro, acompanhado por dois agentes cubano-americanos da CIA, o Exército boliviano capturou Che. Ele liderava um punhado de guerrilheiros que haviam sobrevivendo a combates, fome e doenças. Guevara foi levado para uma escola abandonada, onde passou sua última noite. Na tarde seguinte, o revolucionário foi executado sumariamente por Mario Teran, um sargento boliviano. Aos 39 anos, "Che" entrava para a História e se tornava um mito, enquanto seu corpo magro era exibido como um troféu.

A mitologia revolucionária da qual "Che" Guevara é símbolo, foi revivida em 1997 pela descoberta de seus restos mortais - cuja identificação continua controversa - e sua exumação solene no mausoléu de Santa Clara por Fidel Castro.

No mundo inteiro, a imagem-culto do guerrilheiro - a foto do cubano Alberto Korda tirada em 1960 e a mais difundida no mundo - continua sendo reproduzida em milhões de camisas, cartazes, bonés, ou bolsas, apreciados pela juventude dos cinco continentes, mas também por estrelas do futebol, ou da música.

A extrema-esquerda europeia nascida dos eventos de 1968 e uma parte da intelligentsia contribuíram amplamente para a popularização de um homem renomado por sua vontade de ferro, apesar de sua condição asmática.

Guerrilha de corpo e alma

Depois de estudar Medicina na Argentina e de várias jornadas que forjaram suas convicções,esse defensor declarado da violência política conheceu Raul e Fidel Castro no México, antes de participar da guerrilha que levou "os barbudos" ao poder em Havana em 1959.

De seus companheiros cubanos, ele guarda o apelido de "Che", uma interjeição característica argentina para atrair a atenção do interlocutor, cumprimentá-lo, ou expressar surpresa. Após supervisionar por seis meses a repressão dos "contrarrevolucionários" - o que nunca negou - dirigiu por um tempo o Banco Central cubano e o Ministério da Indústria.

Mentor da aproximação da Revolução Cubana com Moscou, afastou-se posteriormente das posições soviéticas favoráveis à "convivência pacífica" com o bloco ocidental para defender uma estratégia de conquista do poder pelas armas, mais perto do maoísmo.

"Outras terras do mundo reclamam a contribuição de meus modestos esforços", escreveu para Fidel em 1965, ao pedir uma licença para levar a luta insurrecional para a África em particular. Ele terminou essa carta com sua famosa frase: "Hasta la victoria, siempre" ("Até a vitória, sempre!").

Seguiram-se meses de "desaparecimento", enquanto esteve no Congo tentando - sem sucesso - impor uma revolução armada para, então, embarcar em sua última guerra na Bolívia.

Veja as datas significativas na vida de "Chê"

Seguem as principais datas na vida do revolucionário argentino-cubano Ernesto "Che" Guevara, morto na Bolívia há 50 anos.

• Ernesto Guevara da Serna nasce em 14 de junho de 1928 em Rosário, Argentina.

• 1928-53, Argentina e viagens pela América Latina

• Em 1945, sua família se instala em Buenos Aires. Começa a percorrer a América Latina de moto em 1951 e se forma em medicina em 1953.

• 1955-59, a revolução cubana

• Em julho de 1955, conhece Fidel Castro no México. Em dezembro de 1956, o "Che" (apelido em referência à sua origem argentina) desembarca em Cuba com Fidel Castro e outros 80 revolucionários. Após vários combates vitoriosos é promovido a "comandante". Em janeiro de 1959, entra triunfante em Havana, marcando o fim da ditadura de Fulgêncio Batista. Será depois nomeado presidente do Banco Central de Cuba e mais tarde ministro da Indústria.

• 1964-65, a aventura africana

• Em 1964, empreende uma viagem de três meses por China, África e vários países em desenvolvimento. Em abril de 1965, entra no Congo, em uma tentativa abortada de exportar a guerra revolucionária à África. Em 3 de outubro de 1965, Fidel Castro torna pública uma carta de "Che", anunciando que renunciava a seus postos na revolução cubana para consagrar-se a "outros campos de batalha".

• 1966-67, Bolívia, sua última guerrilha

• Em 1966, volta a Cuba e prepara uma expedição para propagar a revolução na América Latina a partir da Bolívia. Em 1967, começa a atuar em um grupo guerrilheiro na Bolívia. Em 8 de outubro, é ferido e capturado pelo exército. Em 9 de outubro, "Che" Guevara é executado na localidade de La Higuera (Sudeste da Bolívia). Seu corpo é encontrado em uma fossa comum em julho de 1997 e repatriado a Cuba 30 anos depois de sua morte.

Fonte: Correio do Povo/AFP