Paraná

Denúncias de assédio sexual em escolas cívico-militares do Paraná expõem falhas no modelo

05 fev 2026 às 17:05

Um grupo de nove estudantes, com idades entre 11 e 13 anos, denunciou abusos cometidos por um monitor militar em uma escola cívico-militar de Cornélio Procópio, no interior do Paraná. Os relatos, que vieram à tona recentemente, indicam que o funcionário teria tocado indevidamente o corpo das jovens em diversas ocasiões durante o ano de 2023. Apesar da gravidade das acusações e da abertura de uma investigação por estupro de vulnerável, o militar permaneceu na instituição por quase dois anos, sendo desligado pelo governo estadual apenas em 2025.


O modelo paranaense de escolas cívico-militares, que é o maior do país em número de matrículas e uma das principais vitrines da gestão Ratinho Júnior (PSD), prevê a contratação de militares inativos para funções de monitoramento e administração. No caso de Cornélio Procópio, a direção da escola não possuía autonomia para demitir o investigado, limitando-se a afastá-lo do contato direto com os alunos para funções burocráticas enquanto o processo tramitava sob sigilo. O Ministério Público do Paraná, em fase recursal, chegou a pedir a absolvição do monitor, e o caso ainda não possui uma sentença definitiva.


Panorama das denúncias e o modelo estadual


Investigações conduzidas pela BBC News Brasil identificaram ao menos quatro casos de abusos contra estudantes que resultaram em investigações policiais e demissões no estado. Entretanto, a falta de transparência e os processos sob sigilo dificultam a mensuração real do problema nas unidades. O governo do Paraná expandiu a rede para 2026, defendendo que o sistema garante mais segurança e disciplina, o que gera alta demanda de pais interessados em vagas.


Por outro lado, o programa enfrenta resistência e críticas de setores da educação e de partidos políticos. No Supremo Tribunal Federal (STF), uma ação movida pelo PT e PSOL questiona a constitucionalidade do modelo, alegando que ele promove uma militarização precoce e inadequada do ambiente escolar. Os críticos apontam que a falta de formação pedagógica dos militares da reserva pode contribuir para situações de violação de direitos dos estudantes.


Posicionamento oficial


O governo do Paraná reforçou que atua com rigor diante de qualquer suspeita de irregularidade e informou que já realizou a demissão de 14 funcionários envolvidos em casos de assédio ou violência, embora não tenha divulgado detalhes específicos sobre cada ocorrência. A gestão estadual mantém o plano de expansão do modelo cívico-militar, que hoje representa 55% das escolas desse tipo no Brasil, como uma política pública consolidada para o ensino básico.