Rodovias federais e estaduais do Paraná registraram ao menos 133 mortes em acidentes apenas no mês de agosto, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) da Polícia Militar. O cenário reforça o alerta para a necessidade de mais responsabilidade por parte dos motoristas em todo o estado.
667 acidentes e maior tragédia em cinco anos
Nas rodovias federais que cortam o Paraná, a PRF contabilizou 667 acidentes em agosto. Mais de 700 pessoas ficaram feridas e 61 morreram.
Entre as ocorrências, a PRF destaca o acidente registrado em 19 de agosto na BR-373, em Ipiranga, na região central do estado. Um ônibus de saúde e um caminhão bateram de frente em um trecho de reta, depois que o caminhoneiro invadiu a contramão durante a madrugada. O caso deixou 23 mortos e é apontado pela corporação como a maior tragédia em rodovias federais do Paraná nos últimos cinco anos.
Imprudência em trechos de reta preocupa PRF
Segundo a PRF, os trechos de reta concentram a maior quantidade de acidentes em todo o estado. Eles são mais comuns em pistas duplas e secas, com céu claro, condições em que a imprudência aparece como fator determinante.
“A ausência de reação, reação tardia, a própria falta de atenção ao volante. Isso causa aqueles acidentes que a gente vê que poderiam ser evitados, como colisões traseiras e colisões frontais”, afirma Maciel Jr., porta-voz da PRF.
Para o porta-voz, o comportamento dos motoristas em condições aparentemente favoráveis contribui para o aumento dos riscos nas rodovias.
Sábado e início da manhã concentram acidentes
A PRF também identificou um padrão em relação a dias e horários. A cada dez acidentes, dois aconteceram aos sábados. O horário com maior número de registros é o começo da manhã, por volta das 7h.
Entre as rodovias federais, a BR-277, a mais extensa do estado, lidera em número de ocorrências, seguida pelas BRs 376 e 369. Ainda conforme a PRF, os dez municípios com mais acidentes – entre eles Curitiba – concentram quase metade de todos os casos.
Fiscalização baseada em dados
Maciel Jr. destaca que os pontos de fiscalização da PRF são definidos a partir da análise estatística dos acidentes.
“Não são locais aleatórios de fiscalização. Se o motorista ver um ponto de fiscalização da PRF, ele pode saber que o dado foi trabalhado. Aquele local exige um cuidado especial, exige uma presença policial mais ostensiva, com abordagens, testes com bafômetro e radares, para tentar impedir ou diminuir esse ímpeto do motorista em acelerar, em beber e dirigir, e nas ultrapassagens proibidas”, explica o porta-voz.
Rodovias estaduais repetem cenário de risco
Nas rodovias estaduais do Paraná, a situação também é considerada preocupante pelo Batalhão de Polícia Rodoviária da PM. Em agosto, as PRs registraram 476 acidentes, que deixaram 476 feridos e resultaram em 72 mortes.
Os números somados das redes federal e estadual reforçam, segundo as autoridades de trânsito, a necessidade de maior atenção, respeito aos limites de velocidade e obediência à legislação para reduzir a violência nas estradas paranaenses.