Implementar o modelo de indústria 4.0 no campo, otimizando a economia agrícola na região Oeste do Paraná, é um dos objetivos estratégicos do Parque Tecnológico Itaipu (PTI). Para isto, o PTI, por meio do Centro Latino-Americano de Tecnologias Abertas (Celtab), em parceria com a Itaipu Binacional e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), vem desenvolvendo o projeto “SmartFarm”, traduzido do inglês como “fazenda inteligente”.
No fim de setembro, dez novas estações foram instaladas na fazenda experimental Agro Tasca da Unioeste, em Céu Azul, visando a coleta de dados relacionados ao microclima da região. Doze unidades atualmente em operação monitoram a área total de 17 hectares, contando ainda com o suporte de um drone autônomo, supervisionado por operadores em campo.
O objetivo do projeto, de acordo com o gerente do Centro, Miguel Diogenes Matrakas, é utilizar os dados coletados pelas estações para monitorar o ciclo de produção do milho. Ao analisar a influência de variáveis, como a quantidade de chuva e sol sob o solo desde o plantio até a colheita, será possível viabilizar, por exemplo, o uso de defensivos agrícolas e a otimização de sistemas de irrigação, explica o gerente.
Em julho deste ano, as duas primeiras estações-teste foram instaladas na propriedade por uma equipe do Celtab, composta pelos engenheiros Rolf Massao e José Alberto, acompanhados pelo professor Hashisuca, com o intuito de estabelecer uma base para o projeto. Após um período de adaptação das estações, descrevem os engenheiros, foi possível estabelecer uma rede estável de internet na área que, até então, não a possuía, viabilizando assim uma rede à qual foram conectadas as dez novas unidades.
Para o gerente do Celtab, levar esta tecnologia ao dia a dia do campo é uma ação estratégica visando resultados econômicos para toda a região. A medida em que as atividades agrônomas tornam-se cada vez mais otimizadas por meio de sistemas mecanizados, exemplifica Matrakas, os meios de cultivo tendem a tornarem-se mais pontuais e, consequentemente, a produtividade das safras aumenta.
A proposta vai a encontro da eficácia da manutenção e operação no reservatório da Itaipu pelos técnicos da usina, devido ao compartilhamento de informações coletadas pelo Smec e o Smart Farm através do Laboratório de Internet das Coisas (IoT) do Celtab. O gerente destaca que conceitos de conectividade e indústria 4.0, viabilizados pela IoT, foram adotados nos processos de atualização e implementação das estações.
Segundo o diretor superintendente do PTI, Jorge Augusto Callado, a produção de alimentos de forma sustentável e respeitando as variáveis climáticas é um dos principais desafios do agronegócio. “Com estas tecnologias, o PTI coloca-se dentro do ciclo produtivo de alimentos, fazendo com que tenhamos uma agricultura verticalizada, com maior produtividade”.
Expectativa
A colheita do milho na propriedade em Céu Azul está prevista para fevereiro de 2019, afirma o gerente. A partir disto, o Celtab passará a atuar em uma terceira etapa de trabalho, envolvendo o conceito de “big data” do campo que, trata-se de uma análise e interpretação aprofundada de um grande volume de dados resultantes das etapas anteriores de coleta e armazenamento via IoT. Paralelo a isto, o Centro também prevê a modernização de toda a rede de estações meteorológicas da Itaipu, que conta com 54 unidades em toda a região Oeste do estado, para o início do ano que vem.
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