O calçadão de Londrina foi palco de um protesto contrário ao racismo e à repressão policial. A concentração foi na tarde deste domingo (7) perto da praça da Catedral Metropolitana. Os manifestantes também fizeram críticas ao presidente Jair Bolsonaro. Carregando faixas e cartazes, eles ficaram distantes uns dos outros e utilizaram máscaras.
À Tarobá, o secretário de Saúde de Londrina Felippe Machado já havia desaconselhado atos de ruas por causa do risco de transmissão do coronavírus. Nas redes sociais, o prefeito Marcelo Belinati (PP) pediu que as medidas de segurança, como a utilização de máscaras, fossem tomadas durante o protesto.
Manifestações contrárias ao racismo e à violência policial se espalharam pelo mundo após a morte de George Floyd, cidadão negro sufocado por um policial americano em Minneapolis, nos Estados Unidos.
"Atos foram chamados em todo o Brasil para se posicionar contra o atual e contínuo genocídio da população preta, que continua ferozmente, mesmo durante a pandemia", afirmou uma das organizadoras do protesto, que não quis se identificar.
O grupo também relembrou a morte de João Pedro Mattos Pinto de 14 anos pela Polícia Militar (PM) no Rio de Janeiro e criticou a repressão policial, além da morte de pessoas durante abordagens da PM em Londrina.
A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Londrina decidiu acompanhar a movimentação, após receber denúncias de que grupos opositores poderiam tentar impedir a realização do protesto.
"Nós defendemos que as pessoas fiquem em casa por causa da pandemia. Porém é direito delas se manifestarem sem nenhum ato de violência. Seja por grupos opositores, seja por parte da polícia", disse Rafael Colli, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, que estava no calçadão.
A PM cercou as ruas do entorno e revistou todos que chegavam ao local da concentração. O grande efetivo de policiais foi alvo de críticas por parte dos manifestantes. Até a publicação desta reportagem não havia registro de episódios de violência ou vandalismo.
"Alguns objetos que poderiam ser utilizados para a prática de lesão corporal ou para depredação do patrimônio publico ou particular forma apreendidos e as pessoas foram qualificadas", declarou o comandante do 5º Batalhão Major Nelson Villa. Os objetos - entre os quais um canivete e um machado - e a identificação das pessoas envolvidas serão enviados à Policia Civil e ao Ministério Público. Ninguém foi preso.
Mesmo diante das fortes críticas à PM, o comandante avaliou o ato como legítimo. "A democracia se vê encorpada quando as pessoas têm a possibilidade de manifestar suas opiniões, sejam elas quais forem", avaliou Villa.
(Colaboração: Rafael Machado)