Paraná

Operação com 63 mandados mira caça ilegal e venda de armas

16 jun 2026 às 13:13

A PCPR (Polícia Civil do Paraná) deflagrou, nas primeiras horas desta terça-feira (16), uma megaoperação interestadual com o objetivo de desarticular uma rede criminosa especializada na caça de animais silvestres e no comércio ilegal de armas de fogo e munições. A ofensiva mobiliza mais de 150 policiais para o cumprimento de 63 mandados judiciais, expedidos pela Vara Criminal.


A ação conta com o suporte operacional e técnico da PMPR (Polícia Militar do Paraná), da Polícia Científica (PCI-PR), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Água e Terra (IAT). No total, as equipes buscam cumprir 31 mandados de prisão e 32 ordens de busca e apreensão.

O cerco policial está sendo executado simultaneamente em 15 municípios do Paraná (Campo Largo, São José dos Pinhais, Lapa, Tijucas do Sul, Palmeira, Guaratuba, Ponta Grossa, São João do Triunfo, Imbituva, Fernandes Pinheiro, Guamiranga, União da Vitória, Mallet, Coronel Vivida e Itaipulândia), três cidades de Santa Catarina (Rio dos Cedros, Brusque e Itajaí) e em Canarana, no Mato Grosso.


Flagrantes de caça eram compartilhados na internet


As investigações do núcleo de crimes ambientais da PCPR tiveram início em julho de 2025, impulsionadas pelo recebimento de uma denúncia anônima. O relato detalhava a existência de uma espécie de "mercado negro" virtual voltado à transação de armamentos pesados em um grupo fechado de um aplicativo de mensagens.


Com a quebra de sigilo autorizada pela Justiça, o monitoramento policial revelou uma atividade criminosa paralela ainda mais complexa cometida pelos mesmos alvos.


“Além da venda de armamentos e munições, verificamos que o grupo era utilizado pelos membros para a divulgação e compartilhamento de fotos e vídeos de caça ilegal de animais silvestres”, explicou o delegado responsável pelo inquérito, Guilherme Dias.


Os arquivos digitais interceptados expunham o abate cruel de espécimes da fauna nativa protegidas por leis federais. A partir do cruzamento de dados de inteligência e do rastreamento de dados telemáticos, as autoridades identificaram os administradores e os integrantes mais ativos do canal de conversas, subsidiando o pedido de prisão dos suspeitos.


Proteção à biodiversidade e desarmamento


A operação policial busca atingir o núcleo financeiro da organização. Ao confiscar os arsenais e prender os intermediários, a Polícia Civil espera provocar o estrangulamento do comércio ilegal de armas de fogo no interior do estado, o que impacta diretamente na redução dos índices de crimes contra a biodiversidade e a segurança pública regional.


Os detidos e os materiais apreendidos — incluindo espingardas, insumos para recarga, armadilhas e dispositivos eletrônicos — estão sendo encaminhados para as delegacias locais das respectivas comarcas para a formalização do flagrante e início dos depoimentos.

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