Paraná

Perícia conclui que aluno de aviação morreu por choque anafilático

20 jul 2026 às 15:51

O estudante de aviação Gustavo Henrique de Lara, de 27 anos, morreu em decorrência de um choque anafilático após ser submetido a um tradicional "banho de óleo" em uma escola de pilotagem localizada em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. A conclusão oficial é do laudo pericial, que apontou uma reação alérgica severa desencadeada pelo contato da pele do jovem com óleo de motor de aeronave usado. O produto foi aplicado sobre ele como parte de um ritual comum no meio aeronáutico para celebrar o primeiro voo solo do aluno.


De acordo com as apurações do caso, Gustavo recebeu o banho com a substância química e, logo em seguida, começou a apresentar os sintomas da intoxicação. O quadro evoluiu de forma acelerada, provocando convulsões e consecutivas paradas cardiorrespiratórias. Apesar da rápida mobilização e das tentativas de socorro e reanimação, o estudante não resistiu às complicações geradas pelo choque anafilático.


No âmbito criminal, o instrutor da instituição de ensino, apontado pelas investigações como o responsável direto por aplicar o óleo no aluno, foi autuado por homicídio culposo, infração penal caracterizada quando não há a intenção de matar. Após prestar esclarecimentos, ele efetuou o pagamento da fiança estipulada e foi liberado para responder ao processo em liberdade.


A Polícia Civil informou que o inquérito segue em andamento para esmiuçar todas as circunstâncias que envolveram a morte e identificar se há outras responsabilidades legais no episódio.


A fatalidade reacendeu o debate sobre os limites e a segurança dos trotes e rituais de formação de novos pilotos no país. Em resposta ao ocorrido, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) emitiu um comunicado alertando de forma enfática que óleos, fluidos e lubrificantes utilizados na manutenção de aeronaves possuem alta toxicidade e não devem ter nenhum tipo de contato com o corpo humano.


A agência reguladora também recomendou que todas as escolas de aviação e aeroclubes do Brasil revisem e proíbam imediatamente práticas comemorativas que envolvam o manuseio e a exposição a materiais químicos.

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