Advogados de Daniel Vorcaro sinalizaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) que “estão abertos a novos esclarecimentos”. Depois da recusa da Polícia Federal (PF), a PGR é a única que segue negociando com o dono do Banco Master. Três pontos travaram as conversas com os delegados e, segundo procuradores, precisam ser ampliados:
- O dinheiro a ser devolvido: Vorcaro sinalizou R$ 40 bilhões em 10 anos, mas os investigadores esperam um ressarcimento de pelo menos R$ 50 bilhões, em um período mais curto;
- O alcance da delação: precisa ser maior, com nomes de todos os integrantes dos Três Poderes que teriam relação com o banqueiro;
- A pena proposta, com prisão domiciliar logo após a sentença, considerada “branda demais”.
Reportagens revelam reunião fora da agenda entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Daniel Vorcaro.
No Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, a possibilidade de que a PGR aceite a proposta é vista como “mínima”. A avaliação é de que, se Vorcaro não conseguiu convencer a Polícia Federal, dificilmente a PGR aceitará os termos atuais.
Segundo delegados, Vorcaro “não disse tudo o que sabe, agiu para proteger pessoas próximas” e a apuração já estaria em fase avançada, sem necessidade de colaboração do banqueiro.
Rejeição da PF
A Polícia Federal comunicou aos advogados de Daniel Vorcaro a rejeição formal da delação premiada. A informação foi divulgada na noite desta quarta-feira (20).
A avaliação interna é de que o material apresentado pela defesa do dono do Banco Master é “inútil e seletivo”. Foram entregues informações e anexos que, segundo investigadores, omitiriam dados relevantes. Na visão da PF, Vorcaro teria tentado proteger nomes importantes dos Três Poderes.
Entre eles, o envolvimento de Vorcaro com o senador Ciro Nogueira, que teria recebido pagamentos mensais do banqueiro e, em troca, apresentado uma emenda que ampliava a cobertura do fundo garantidor de créditos, beneficiando diretamente o Banco Master.
Nesta semana, a PF transferiu internamente o banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum na carceragem da Superintendência do Distrito Federal. Com isso, ele passa a seguir as regras internas da PF para visitação de advogados, permitindo duas visitas por dia de meia hora cada.