Política

Lula condena bloqueios a Cuba e diz que Trump não é "dono do mundo"

17 abr 2026 às 11:16

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra a política externa de Donald Trump em entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira (16). Lula afirmou categoricamente que o presidente dos Estados Unidos não tem o direito de acordar e decidir ameaçar nações como Irã, Cuba e Venezuela. Para o brasileiro, nem a Constituição americana e nem a carta da ONU dão aval para que a Casa Branca desrespeite a soberania de outros países só por discordar de seus regimes políticos.


A maior preocupação demonstrada por Lula foi com a possibilidade de um conflito em escala global. Ele alertou que uma Terceira Guerra Mundial seria dez vezes mais potente e trágica que a segunda, e que esse risco se torna real quando líderes acham que podem "atirar contra qualquer um". O presidente saiu em defesa de Cuba, criticando o bloqueio econômico de sete décadas que impede a ilha de receber alimentos e energia, comparando a situação com o abandono vivido pelo Haiti, que não possui regime comunista e também sofre com crises profundas.


Sobre a Venezuela, Lula reforçou que o caminho para a paz depende do respeito aos resultados eleitorais e não da administração direta dos EUA sobre o país vizinho. Ele também aproveitou para relembrar o "tarifaço" imposto por Trump contra exportações brasileiras em 2025, ressaltando que, embora não concorde ideologicamente com o republicano, os chefes de Estado precisam focar nos interesses de seus povos. Recentemente, a Suprema Corte americana derrubou as tarifas de 40% que afetavam o Brasil, após pressão de empresas afetadas pela medida.


Lula finalizou a entrevista cobrando mais responsabilidade das grandes potências na manutenção da paz mundial. Para o presidente brasileiro, o planeta não pertence a um único país e faltam lideranças que entendam que o respeito à integridade territorial é fundamental para evitar tragédias humanas. O petista defende que o diálogo e a diplomacia devem prevalecer sobre as ameaças de intervenção ou genocídio, garantindo que o Brasil continuará buscando parcerias baseadas no pragmatismo econômico e não em alinhamentos ideológicos.

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