Política

Lula e Trump terão reunião para debater facções, Pix e terras raras

06 mai 2026 às 10:16

encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, deve ocorrer em formato reservado, mas com momentos abertos à imprensa.


Segundo integrantes do governo brasileiro, o Brasil recebeu a sinalização de que algumas partes da agenda no Salão Oval devem ser abertas aos jornalistas para declarações de Trump e também de Lula.


A avaliação no Palácio do Planalto é de que esse momento público pode ser importante para marcar politicamente o encontro e dar o tom das negociações bilaterais. Há, no entanto, um receio sobre os impactos das falas dos chefes de estado.


A tendência é que a reunião siga em boa parte de forma mais restrita entre os integrantes das duas delegações. A visita de Lula, segundo a Casa Branca, será para uma reunião de trabalho, o que diminui a formalidade do encontro, mas amplia a possibilidade de negociações entre os países.


Ao lado de Lula no Salão Oval devem estar o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, o diretor-geral da Polícia Federal, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, além de um representante da área internacional da Presidência da República. A comitiva ainda deve contar com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro do Desenvolvimento, Industria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.


A composição da comitiva foi definida para contemplar os principais assuntos que estarão em debate com os americanos.


Do lado americano, Donald Trump também deve participar acompanhado por um número semelhante de auxiliares. Integrantes do governo brasileiro descrevem a reunião como uma agenda de trabalho, com foco em resultados práticos e possíveis acordos entre os dois países.


Um dos temas prioritários será a segurança pública. Os Estados Unidos têm defendido a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, proposta que enfrenta resistência do governo brasileiro. O Planalto avalia que o enquadramento jurídico não é adequado dentro da legislação brasileira.


Apesar da divergência, o governo Lula pretende avançar na cooperação com os Estados Unidos para combater o tráfico internacional de drogas, o contrabando de armas e a atuação de facções criminosas com impacto nos dois países. A expectativa da comitiva é sair da reunião com algum acordo fechado ou ao menos com negociações avançadas nessa área.


Outro eixo estratégico será o debate sobre minerais críticos e terras raras. O governo brasileiro quer chegar aos Estados Unidos com a regulamentação do setor aprovada pela Câmara dos Deputados. O texto deve ser analisado ainda nesta quarta-feira (6) e é tratado pelo Planalto como um ativo relevante na negociação com Washington.


As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos também estarão na pauta. O governo pretende discutir investimentos e ampliar negócios bilaterais, além de defender o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e alvo de questionamentos de setores americanos que alegam impactos sobre empresas dos Estados Unidos.


Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que a expectativa é que Lula volte de Washington com anúncios concretos ou negociações avançadas em temas estratégicos, principalmente segurança pública, minerais críticos e comércio bilateral.

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