O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva do contador Washington Travassos de Azevedo, apontado como um dos mandantes de uma organização criminosa especializada na obtenção ilegal de dados fiscais sigilosos. A medida, executada no último dia 14 de março, ocorreu após pedido da Polícia Federal (PF) e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com as investigações, o contador teria acessado, de forma irregular, as Declarações de Imposto de Renda (DIRPF) de 1.819 contribuintes entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2026. A lista de alvos inclui parentes de ministros do STF e do Tribunal de Contas da União (TCU), além de deputados federais, ex-senadores, ex-governadores, dirigentes de agências reguladoras e empresários de notoriedade pública.
Intermediação e vazamento de dados sensíveis
As apurações indicam que Azevedo atuava como intermediário em uma cadeia de obtenção de informações protegidas por sigilo funcional. Em depoimento citado pela imprensa, o contador teria admitido a prática irregular, funcionando como ponte entre interessados nos dados e quem oferecia o serviço de acesso aos sistemas internos.
Entre os documentos obtidos ilegalmente estão dados fiscais da advogada Viviane de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. A quebra de sigilo de Viviane já havia sido detectada pela Receita Federal, motivando uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal em fevereiro, com mandados cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Conexão com o Caso Banco Master
O vazamento dos dados de Viviane de Moraes ocorre em meio a uma crise no STF envolvendo seu contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. A instituição financeira pertence a Daniel Vorcaro, banqueiro que atualmente está preso por fraude financeira e em processo de negociação de delação premiada.
Especialistas do setor jurídico consultados pelo mercado apontam que os valores do contrato de Viviane são incompatíveis com as práticas habituais de escritórios de advocacia no país. Para o doutor em Ciências Criminais Alexandre Wunderlich, a prisão do contador está tecnicamente justificada, uma vez que a violação clandestina de sigilo fiscal configura crime e a estrutura organizada do grupo ameaça a ordem pública e a instrução criminal.
A audiência de custódia de Washington Travassos de Azevedo foi realizada no mesmo dia de sua prisão, e o investigado permanece à disposição da Justiça enquanto a Polícia Federal aprofunda as buscas pela origem dos pedidos de acesso aos dados.