Um dia depois de anunciar que um acordo com o Irã estava "em grande parte negociado", o presidente Donald Trump voltou atrás no tom e pediu cautela à sua equipe de negociadores neste domingo (24). O recuo parcial veio acompanhado de ataques a críticos dentro do próprio Partido Republicano, que questionam se os termos em discussão são suficientemente favoráveis aos Estados Unidos.
Trump afirmou em sua rede social que "o tempo está do nosso lado" no esforço para encerrar o conflito de quase três meses com o Irã e reabrir o Estreito de Ormuz, mas admitiu que o acordo ainda não estava "totalmente negociado".
O Irã não confirmou publicamente os termos e a agência estatal Fars sinalizou que ainda haveria amplas divergências entre as partes. Teerã também rebateu declarações do secretário de Estado Marco Rubio, que, em visita à Índia, disse que o mundo não precisaria mais temer que o Irã obtivesse uma arma nuclear. A embaixada iraniana respondeu nas redes sociais que Teerã possui um direito "inalienável" à tecnologia nuclear.
Apesar das ressalvas, autoridades americanas descreveram avanços concretos nas negociações. Segundo interlocutores a par das tratativas ouvidos pela imprensa do país, a estrutura do acordo estaria "95% concluída", com negociadores ainda debatendo a redação dos termos relativos ao estoque nuclear iraniano e ao Estreito de Ormuz.
Pelo entendimento em elaboração, o estreito seria reaberto gradualmente em paralelo ao encerramento do bloqueio naval americano aos portos iranianos, enquanto sanções e fundos congelados seriam negociados ao longo de um período de 60 dias.
Foi justamente a perspectiva desses termos que acendeu o debate interno no campo republicano. Senadores, ex-membros do gabinete e analistas conservadores passaram a questionar abertamente se os contornos conhecidos do acordo não tornariam o conflito algo realizado "em vão"
O senador Ted Cruz, do Texas, disse que a decisão de atacar o Irã foi "a mais consequente" do segundo mandato de Trump e que o presidente não deveria ceder agora. "Se o resultado de tudo isso for um regime iraniano recebendo bilhões de dólares, podendo enriquecer urânio e ter controle efetivo sobre o Estreito de Ormuz, esse resultado seria um erro desastroso", escreveu no X.
Mike Pompeo, ex-secretário de Estado no primeiro mandato de Trump, disse que o acordo em discussão equivaleria a "pagar ao IRGC (Corpo de Guardas da Revolução Islâmica) para construir um programa de armas de destruição em massa e aterrorizar o mundo".
Trump descartou as críticas e chamou os opositores de “perdedores”. "Não ouçam os perdedores, que criticam algo sobre o qual não sabem nada", escreveu, acrescentando que o acordo em negociação é "o exato oposto" de um acordo nuclear. O presidente não detalhou quais seriam os termos finais nem quando um entendimento poderia ser anunciado formalmente.