Política

PF descobre como mesada milionária para Ciro Nogueira escapava do radar

08 mai 2026 às 17:37

A Polícia Federal começou a periciar o celular, o tablet e documentos apreendidos na casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (7).


O objetivo é aprofundar o entendimento sobre o que investigadores chamam de "profundidade do esquema e as relações com Daniel Vorcaro", além de obter mais detalhes sobre os supostos pagamentos feitos ao parlamentar.


Delegados afirmam já ter descoberto como uma mesada estimada entre R$ 300 mil e R$ 500 mil demorou a ser detectada: o dinheiro era fracionado em depósitos menores do que R$ 10 mil, valor abaixo do limiar de monitoramento automático pelo Banco Central e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).


Segundo investigadores, dois operadores eram responsáveis pela distribuição dos recursos. Felipe Cançado, primo de Vorcaro e preso na operação, atuava como operador financeiro: recebia ordens do empresário e organizava os pagamentos. Abaixo dele, Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho distribuía os valores em várias contas de empresas supostamente ligadas a Ciro Nogueira.


O método é conhecido no jargão policial como smurfing, uma técnica clássica de lavagem de dinheiro que consiste em pulverizar grandes montantes em transferências menores para escapar da detecção automática dos órgãos de controle financeiro.

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