O Partido Liberal (PL) fechou apoio à pré-candidatura do senador Sergio Moro (União-PR) ao governo do Paraná, em reunião realizada nesta quarta-feira (18), na sede nacional da sigla, com a presença do presidente do partido, Valdemar Costa Neto.
Com o acerto, a cúpula bolsonarista busca resolver a falta de palanque para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Estado. O governador Ratinho Junior (PSD) pretende disputar a Presidência da República e tende a apoiar o próprio grupo político.
“Nós vamos apoiar o Moro, isso está certo. Agora ele precisa definir a situação dele no União Brasil. E nós vamos tocar para frente”, afirmou Valdemar, após o encontro com o ex-juiz da Lava Jato.
Moro deve se reunir ainda nesta quarta-feira com a federação de seu partido, a União Progressista (União-PP), para tratar da candidatura ao governo. Segundo dirigentes, o plano B, caso ele não consiga legenda pela federação, é a filiação ao PL.
Valdemar disse que a filiação ao PL não foi definida na conversa, mas indicou que a hipótese segue aberta. “Ele vai conversar agora para ver o que é melhor para ele. (...) E talvez com o 22 o Moro ganhe a eleição no primeiro turno, agora precisa ver se ele vem para o partido ou não”, declarou. Na saída, Moro evitou falar com a imprensa.
Veto no PP do Paraná e impasse na federação
Moro enfrenta resistência dentro da própria sigla para disputar a sucessão de Ratinho. Em dezembro, o diretório do PP no Paraná decidiu por unanimidade vetar o nome do senador para o governo do Estado pela federação União-PP.
Na ocasião, Moro, que lidera pesquisas de intenção de voto no Paraná, classificou a decisão como uma “imposição arbitrária”. O movimento expôs a divisão interna e tornou mais incerta a sua candidatura pelo atual partido.
O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), participou da reunião em Curitiba que consolidou o veto. “O partido no Paraná não irá homologar o nome do candidato Moro. Dos 27 Estados, este é o mais importante diretório, mas é o único que ainda está tendo essa discussão”, afirmou à época.
Relação com Ratinho e disputa presidencial
Apesar do apoio a Moro, Valdemar Costa Neto negou que o movimento represente um rompimento com o grupo de Ratinho no Paraná. “Não rompemos nada. O Ratinho mora no meu coração. Mas acontece que ele vai sair candidato a presidente, e daí vamos fazer zero voto no Paraná?”, questionou o dirigente.
A conversa entre Valdemar e Moro ocorreu uma semana depois de o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), se encontrar com Ratinho para pedir apoio à candidatura presidencial do PL. O governador, porém, é um dos nomes cotados internamente no PSD para disputar o Palácio do Planalto.
Além de Ratinho Junior, os governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) disputam espaço dentro do PSD para se viabilizar como presidenciáveis. Segundo aliados de Ratinho, ele respondeu a Marinho que o partido ainda não definiu quem será o candidato e que não poderia se comprometer em nome da sigla. Os dois combinaram retomar a conversa até o fim de março.
Rusgas em Curitiba nas eleições de 2024
Aliados de Ratinho relatam que o governador pretende expor a Flávio Bolsonaro o incômodo causado pela atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições municipais de 2024 em Curitiba. Na ocasião, PSD e PL tinham um acordo para que os liberais indicassem o vice na chapa do candidato à prefeitura Eduardo Pimentel (PSD), apoiado por Ratinho.
Embora o PL tivesse escolhido o bolsonarista Paulo Martins para o posto, Bolsonaro decidiu apoiar a jornalista Cristina Graeml (então no PMB, hoje no União Brasil), adversária de Pimentel. O gesto irritou o grupo de Ratinho e foi apontado como decisivo para levar Graeml ao segundo turno, apesar da derrota final.
O apoio público de Bolsonaro à candidata às vésperas do primeiro turno surpreendeu o próprio PL e aprofundou o desgaste com o PSD paranaense. Lideranças locais agora defendem cautela e querem evitar novo atrito na eleição de 2026, em meio à disputa por palanques presidenciais no Estado.
Com informações do Estadão Conteúdo