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PT diz que Flávio é marcado por rachadinha e liga Master à gestão Bolsonaro

Resolução da Executiva reage a pesquisas que indicam empate com Lula e tenta ligar escândalos no INSS e em banco ao bolsonarismo
17 mar 2026 às 15:31
Por: Band
Reprodução/X

A Executiva Nacional do PT aprovou nesta segunda-feira (16) uma resolução política que parte para o ataque direto ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e vincula o escândalo do Banco Master ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.


O texto, que orienta a estratégia da sigla, afirma que a eventual candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto representa "a continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas" e descreve o senador como parlamentar "marcado por denúncias e investigações". É a primeira resolução da cúpula petista que registra acusações frontais dessa natureza contra o filho do ex-presidente.


Na resolução, o PT cita suspeitas de rachadinha, movimentações financeiras consideradas atípicas e um "histórico de enriquecimento incompatível com a vida pública". O partido ainda sustenta que, ao longo da trajetória parlamentar, Flávio "jamais apresentou um projeto relevante para o desenvolvimento do País".

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Procurado, o senador não se manifestou até a publicação deste texto. Flávio nega irregularidades no caso das rachadinhas, esquema revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo e investigado pelo Ministério Público do Rio, que apura a apropriação de parte dos salários de funcionários de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa fluminense.


Pesquisas ligam alerta no PT

O endurecimento do discurso ocorre após pesquisas de intenção de voto apontarem Flávio Bolsonaro tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cenários de segundo turno, segundo levantamentos de diferentes institutos citados por petistas.


De acordo com reportagem do Estadão, esses números foram classificados como "tragédia" em setores do PT, que cobram do governo uma agenda positiva mais clara. A avaliação interna é que a ofensiva precisa ser antecipada, e não concentrada apenas no período oficial de campanha.


O movimento também ocorre enquanto o governo tenta se desvincular de novos escândalos de corrupção, tanto no INSS como no Banco Master. Na resolução, o PT procura atribuir a origem das irregularidades na instituição financeira ao campo político ligado ao ex-presidente.


Banco Master vira alvo de narrativa

Segundo o texto, "o escândalo do Banco Master é o retrato desse modelo". A resolução afirma que o banco foi fundado e operou livremente no governo Bolsonaro, período em que teria acumulado fortes indícios de "gestão fraudulenta, corrupção e irregularidades".


O PT questiona por que o Banco Central, comandado à época por Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, não teria adotado medidas para intervir e "proteger o sistema financeiro e os recursos públicos". A estratégia comunicacional, segundo dirigentes petistas, é carimbar o episódio como "Bolsomaster" e reiterar, em suas falas públicas, que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi o maior doador das campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas ao Planalto e ao governo de São Paulo em 2022.


O documento também critica o que chama de "sistema de relações promíscuas entre operadores políticos, interesses financeiros e setores do Estado". A resolução não menciona, porém, suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em negócios com o empresário conhecido como Careca do INSS, nem cita acusações sobre vínculos de petistas da Bahia com o Master durante o governo Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil.


Para marcar contraste com a gestão anterior, o texto afirma que, no governo Lula, "as instituições de controle e investigação têm plena autonomia para atuar no combate à corrupção", ao contrário do que descreve como prática na administração Bolsonaro.


Disputa pelo eleitorado feminino

Em outra frente, a resolução busca aproximar o partido do eleitorado feminino, após pesquisas internas indicarem perda de apoio entre mulheres. O documento lembra que Jair Bolsonaro extinguiu o Ministério das Mulheres e, na avaliação do PT, "naturalizou" discursos machistas.


O texto resgata ainda declaração do ex-presidente segundo a qual ter uma filha mulher foi uma "fraquejada". Para a sigla, a frase "sintetiza a visão profundamente desrespeitosa e patriarcal" atribuída ao campo político bolsonarista.

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