Política

Ex-ministra da agricultura, Kátia Abreu, se filia ao PT em Tocantins

05 abr 2026 às 12:18

A ex-senadora e ex-ministra da Agricultura, Kátia Abreu, oficializou sua filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT) no Tocantins no último sábado (4). O movimento encerra meses de articulações políticas e coloca uma das maiores lideranças do agronegócio brasileiro no centro da estratégia petista para as eleições gerais de 2026.


O anúncio foi feito ao lado de Nile William, presidente regional do PT-TO, e Rosimar Mendes, dirigente municipal em Palmas. Em pronunciamento nas redes sociais, Kátia destacou que sua missão primordial na nova legenda será a defesa da democracia e o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


De crítica ferrenha a aliada estratégica do agronegócio

A trajetória de Kátia Abreu é marcada por uma transição ideológica que acompanha as mudanças no cenário político nacional. No início de sua carreira, no antigo PFL (atual União Brasil), a pecuarista consolidou-se como uma das vozes mais potentes da bancada ruralista e uma opositora ferrenha aos primeiros mandatos de Lula.


A aproximação definitiva com o campo progressista ocorreu durante o governo de Dilma Rousseff. Na época, Kátia assumiu o Ministério da Agricultura e tornou-se uma das defensoras mais leais da ex-presidente, especialmente durante o processo de impeachment em 2016. Desde então, ela vinha sinalizando sua migração política, que culminou no apoio formal a Lula em 2022.


A estratégia do PT com essa filiação é clara: utilizar a influência de Kátia Abreu para quebrar resistências ao partido em um setor tradicionalmente conservador. Ao trazer um nome de peso do setor produtivo, a sigla busca garantir um "palanque sólido" no Tocantins e suavizar a imagem do governo federal junto aos produtores rurais.


Governo ou Senado?

Embora a filiação tenha sido confirmada, o cargo que Kátia Abreu disputará em 2026 ainda depende de rodadas de negociações com os partidos da base aliada. No entanto, analistas políticos apontam três caminhos principais para a ex-ministra no próximo pleito.


O desejo principal de Kátia seria a disputa pelo Palácio Araguaia, sede do Governo do Tocantins. Com sua entrada no PT, ela se torna o nome natural da esquerda para a disputa majoritária estadual. Caso o desenho das coligações exija um rearranjo, um retorno ao Senado Federal — onde atuou por dois mandatos — é visto como uma alternativa viável e de peso.


A terceira possibilidade, menos provável mas ainda sob análise, seria uma candidatura à Câmara dos Deputados. O objetivo, neste caso, seria ajudar o PT a ampliar sua bancada federal no estado, fortalecendo a governabilidade de um eventual segundo mandato de Lula no Congresso Nacional.


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