O Conselho Federal de Medicina publicou uma resolução que normatiza o uso da inteligência artificial na medicina em todo o território nacional. De acordo com o conselheiro do CFM/PR, Dr. Alcindo Cerci, a norma, que levou cerca de um ano para ser elaborada, entrará em vigor em aproximadamente 180 dias.
O conselheiro destaca que a resolução proíbe explicitamente que a IA tenha autonomia para realizar diagnósticos médicos. Segundo ele, a tecnologia deve ser utilizada apenas como ferramenta acessória, sempre sob a supervisão e com responsabilidade final do médico.
Outro ponto importante é que, mesmo com o uso de tecnologias avançadas, a responsabilidade ética e profissional por qualquer decisão de diagnóstico ou tratamento permanece integralmente com o médico.
A resolução tem caráter inicialmente disciplinador e educacional. O objetivo é orientar médicos e estudantes sobre o uso ético e seguro da tecnologia, e não adotar uma postura punitiva. Hospitais que utilizarem sistemas de IA para processos internos ou apoio diagnóstico deverão contar com comitês responsáveis por auditar algoritmos e avaliar seus índices de precisão.
Entre os principais benefícios apontados está a possibilidade de a IA automatizar tarefas burocráticas, como o preenchimento de prontuários e o gerenciamento de agendas. Com isso, o médico pode dedicar mais tempo ao contato direto e humanizado com o paciente.
Autodiagnóstico é arriscado
Dr. Alcindo cita um estudo que demonstra a importância do contexto clínico adequado. Segundo ele, a precisão de uma IA pode chegar a 94% quando utilizada por um médico, que fornece as informações corretas e interpreta os dados com base na realidade clínica. No entanto, quando usada diretamente pelo paciente, sem orientação profissional, a taxa de acerto pode cair para 34%.
O conselheiro reforça que, embora a inteligência artificial seja um caminho sem volta diante dos avanços tecnológicos, a contextualização médica e a presença humana continuam sendo singulares e insubstituíveis para garantir um tratamento de qualidade.