Um dos fatores apontados para o crescimento do endividamento dos brasileiros é o aumento na contratação de empréstimos consignados. Segundo o economista Maurício Gonçalves, esse índice saltou de cerca de 65% durante a pandemia para aproximadamente 80% atualmente.
De acordo com o especialista, o crédito consignado foi criado com o objetivo de substituir dívidas mais caras, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial. No entanto, o mecanismo passou a ser utilizado por parte da população de forma perigosa, funcionando como uma espécie de renda extra.
Maurício Gonçalves também criticou o aumento da margem consignável, que chegou ao limite de 45% do salário do trabalhador nos últimos anos. As novas diretrizes preveem o retorno gradual desse percentual ao padrão histórico de 30%, alinhando o consignado aos mesmos limites de segurança utilizados em financiamentos imobiliários.
Segundo o economista, o recente cenário de superendividamento no Brasil também está relacionado ao acesso facilitado a linhas de crédito destinadas ao uso em aplicativos de apostas online.
Para conter esse avanço, as regras do programa Desenrola 2.0 preveem uma medida mais rígida: o beneficiário que renegociar suas dívidas terá o CPF bloqueado para realizar transações em plataformas de jogos e apostas pelos 12 meses seguintes.
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