Com o crescimento do uso da Inteligência Artificial (IA) na área da saúde, surgem também debates sobre seus limites, aplicações e responsabilidade ética na odontologia. As dentistas especialistas Dra. Angelita Piovezana e Luciana Belomo discutem o impacto da tecnologia no atendimento clínico e os cuidados necessários no uso dessas ferramentas.
Como a IA é aplicada na odontologia
Na prática odontológica, ferramentas tecnológicas como scanners intraorais permitem capturar imagens precisas da boca do paciente. Esses dados são analisados por softwares integrados com Inteligência Artificial, capazes de auxiliar na identificação de cáries, retrações gengivais e até na sugestão de planejamentos para tratamentos como implantes dentários e ortodontia com alinhadores invisíveis.
Segundo especialistas, o uso dessas tecnologias exige cautela. Diferente de ferramentas genéricas como o ChatGPT, que podem apresentar inconsistências ou “inventar” informações, os profissionais da área da saúde utilizam modelos de linguagem (LLMs) voltados especificamente para contextos médicos e científicos. Esses sistemas são desenvolvidos por instituições reconhecidas, como Harvard, e possuem acesso restrito a profissionais credenciados.
Limites e responsabilidade profissional
Embora o Conselho Federal de Odontologia (CFO) ainda não tenha uma resolução específica voltada exclusivamente para o uso da IA, diferentemente do que já ocorre em outras áreas da saúde, os profissionais devem seguir rigorosamente o código de ética odontológico vigente.
Na prática, isso significa que o uso da tecnologia deve sempre ser guiado pelo bom senso clínico, priorizando a segurança do paciente e a responsabilidade do profissional em cada decisão tomada.