Após o Carnaval, tradicionalmente apontado como marco simbólico de retomada das atividades no país, o debate econômico ganha força em meio a um ano marcado por eleições presidenciais, Copa do Mundo e discussões sobre reformas legislativas. Nesse cenário, o economista Mauricio Gonçalves avalia os possíveis desdobramentos desses eventos sobre o desempenho da economia brasileira.
Segundo o especialista, a Copa do Mundo exerce influência restrita a microrregiões da economia, como bares e restaurantes, sem provocar alterações significativas nos indicadores macroeconômicos.
Em contrapartida, o período eleitoral tende a gerar maior cautela entre investidores, especialmente no primeiro semestre. A atuação de especuladores, afirma, contribui para ampliar a volatilidade tanto na bolsa de valores quanto no dólar.
A expectativa é que a taxa Selic encerre o ano em torno de 12,5%. O Banco Central mantém os juros em patamar elevado para assegurar o cumprimento da meta de inflação, medida que encarece o crédito e impacta o consumo das famílias.
Gonçalves também analisa a proposta de redução da jornada de trabalho. Para ele, a mudança só será benéfica sem pressionar a inflação se vier acompanhada de investimentos em produtividade por parte das empresas. A avaliação é de que a votação ocorra ainda este ano, com implementação gradual.
Em relação à ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, o economista considera a iniciativa um alívio necessário, embora represente apenas uma correção tardia. Já quanto à Reforma Tributária, o impacto previsto para 2026 deve ser limitado, uma vez que a transição será gradual e diversos setores ainda estarão em fase de adaptação.