O parcelamento em até 10 vezes sem juros no comércio, embora pareça atrativo para o bolso, tem se tornado uma armadilha financeira para quem está com o orçamento apertado. Em Londrina, a inadimplência registrou uma alta de 8,2% em abril de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. O cenário preocupa economistas e empresários: atualmente, cerca de 30% da população londrinense admite estar com o nome negativado nos órgãos de proteção ao crédito.
De acordo com dados estatísticos sobre o comportamento financeiro local, 36,2% dos consumidores possuem alguma conta em atraso no município. O indicador mais alarmante refere-se a uma parcela de 14,8% desse grupo, que declara não ter qualquer condição financeira de quitar os valores pendentes, indicando que devem ser incluídos nos cadastros de restrição já no próximo mês. Enquanto o consumidor tenta manter o poder de compra, o comércio varejista adota cautela e reforça mecanismos internos de análise de crédito para evitar novos calotes.
O Impacto das Bets na Economia
Além do endividamento tradicional provocado pelo crediário e pelas faturas de cartão, o perfil das dívidas no Brasil sofreu uma mudança drástica. Um estudo recente do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo) revelou que as apostas on-line (bets) já representam o maior fator de endividamento da população, superando historicamente o próprio cartão de crédito.
Essa mudança de comportamento traz um impacto profundo para o mercado regional. Diferente do endividamento convencional — que, apesar dos juros, injeta capital na economia real por meio da compra de bens de consumo, alimentos e serviços —, o dinheiro destinado às plataformas de apostas virtuais deixa de circular no comércio de bairro, afetando diretamente o faturamento das empresas locais e reduzindo o consumo de produtos essenciais.