O gado Texas Longhorn, conhecido mundialmente pelos chifres de grandes dimensões, surge como uma nova alternativa para a produção de carne de alta qualidade no Brasil. Pecuaristas que expuseram na ExpoLondrina apresentam o cruzamento da raça com fêmeas Angus e Brangus como uma estratégia para elevar o marmoreio e o rendimento de carcaça nas propriedades nacionais.
O pecuarista Neto Cardoso, que iniciou a seleção genética da raça após viagens aos Estados Unidos, afirma que o cruzamento entrega uma carne com padrão superior ao Angus, aproximando-se das características do gado Wagyu. Além da qualidade sensorial, os animais resultantes do cruzamento apresentam precocidade e rusticidade, adaptando-se bem ao clima brasileiro. Um diferencial observado nos abates iniciais é a ausência de chifres nos animais cruzados, o que facilita o manejo.
Os índices de produtividade têm surpreendido o setor. Enquanto a média de rendimento de carcaça na pecuária brasileira costuma variar entre 52% e 54%, os abates de fêmeas do cruzamento com Longhorn atingiram a marca de 57%. "O gado é rústico e com alta palatabilidade, maciez e suculência", destaca Cardoso.
O projeto visa a criação de uma grife de carne exclusiva no mercado brasileiro. Além da exploração comercial da carne, a raça oferece valor agregado em subprodutos; nos Estados Unidos e no Texas, crânios ornamentais de Longhorn são comercializados por valores que chegam a R$ 10 mil. A aposta dos criadores é que a diversidade de fatores positivos, que une estética e eficiência produtiva, consolide a raça como uma opção lucrativa para o pecuarista.