O uso de insumos biológicos tem deixado de ser uma tendência teórica para se consolidar como uma realidade essencial nas lavouras brasileiras. Paralelamente a esse crescimento, avança a busca por novas tecnologias que auxiliem o produtor rural a realizar uma aplicação eficiente e correta no campo, garantindo que o investimento se converta em resultados práticos desde o momento do plantio.
Na região de Ibiporã, no Norte do Paraná, o uso de bioinsumos já transforma a rotina de quem lida com a terra. Os microrganismos atuam diretamente no cuidado com o solo, no desenvolvimento radicular das plantas e no manejo integrado de pragas. Contudo, especialistas alertam: para obter um bom desempenho, a escolha do produto deve estar estritamente alinhada à qualidade da aplicação.
Uma das principais estratégias tem sido a aplicação no sulco de plantio, injetando o produto diretamente na linha, próximo à semente. "Diferente do tratamento de sementes tradicional, que possui uma limitação geométrica de espaço para reter os produtos, a aplicação no sulco permite um verdadeiro encapsulamento da semente, garantindo o melhor aproveitamento do biológico", explica o especialista em tecnologia agrícola Bruno.
Tecnologia a favor do monitoramento
Os bioinsumos contêm organismos vivos — como bactérias e fungos benéficos — e, por isso, exigem cuidados rigorosos. Elementos como solubilizadores de fósforo, que ajudam a liberar o nutriente retido no solo para melhorar o enraizamento, e mitigadores de estresse hídrico, que atuam de forma preventiva contra a seca, demandam precisão na distribuição.
É nesse cenário que as máquinas modernas fazem a diferença. Os novos maquinários contam com sensores que realizam o monitoramento em tempo real de variáveis críticas na tela do trator, como temperatura, pressão e vazão. O controle estrito evita a mortalidade dos microrganismos antes que atinjam o solo e garante um jato dirigido perfeitamente uniforme.
O crescimento do setor é respaldado por dados de mercado. Em nível global, cerca de 12% da área tratada utiliza a tecnologia. No Brasil, o uso de biocontroles atinge 6%, com projeção de saltar para 15% até 2030. A estimativa para 2050 indica um cenário de equilíbrio absoluto: 50% de defensivos químicos e 50% de produtos biológicos no mercado mundial.
Resultados práticos e redução de custos
Na propriedade do agricultor Deovani Ferrari, a adesão à tecnologia ocorreu por necessidade extrema, após enfrentar problemas severos com a praga do percevejo-castanho. Orientado pelo filho, que é engenheiro agrônomo, ele buscou no manejo biológico uma alternativa viável para proteger a plantação e diminuir os custos com a adubação convencional.
Realizando o processo via sulco de plantio, diretamente na linha de semeadura, o produtor destaca a praticidade de associar as operações. Além da eficiência técnica no combate às pragas, o fator econômico pesou de forma positiva. "É mais barato que o convencional. Nós visamos muito o custo, e o biológico veio para ficar. Quem ainda não entrou nesse sistema pode começar a procurar, porque é o futuro", conclui.