A pecuária brasileira também vem encontrando novas oportunidades com a criação da raça Longhorn. Conhecido pela rusticidade e pelos chifres característicos, o gado começa a ganhar espaço em projetos voltados à genética, aos cruzamentos e à produção de carne.
É nesse cenário que chega ao fim a série especial sobre a raça Longhorn, mostrando como a genética pode ser utilizada para agregar valor à produção e abrir novos mercados para a pecuária brasileira.
Cruzamentos buscam unir características
Entre os projetos desenvolvidos pelos criadores estão os cruzamentos do Longhorn com outras raças, como Brangus e fêmeas F1 Angus.
A proposta é formar animais que reúnam rusticidade, desempenho no campo e características de qualidade de carcaça.
Os primeiros resultados chamam a atenção. Aos oito meses, os machos chegaram a 327 quilos, enquanto as fêmeas atingiram 308 quilos.
Carne com marmoreio ganha espaço
Além do desempenho, os cruzamentos também buscam aproveitar o marmoreio associado à genética Longhorn.
A ideia é desenvolver uma nova linha de carne a partir do cruzamento entre Longhorn, Angus e Brangus, com foco inicial no abate de fêmeas.
Segundo o projeto, os animais apresentam características que podem contribuir para a maciez, a suculência e o sabor da carne.
Genética movimenta mercado
Enquanto os cruzamentos avançam na pecuária de corte, os animais puros também movimentam o mercado de genética.
Embriões sexados de fêmea com genética selecionada chegam a ser comercializados entre R$ 70 mil e R$ 90 mil, diante da procura por animais de reprodução.
O valor está relacionado a diferentes características buscadas pelos criadores, como rusticidade, longevidade no campo, qualidade da carne e aproveitamento dos chifres.
Pesquisa pode avaliar qualidade da carne
O projeto também prevê avaliações científicas no Brasil para analisar as características nutricionais da carne produzida a partir dos cruzamentos.
Entre os pontos que deverão ser estudados estão a presença de ômega-3 e os níveis de gordura saturada.
A proposta é reunir os resultados da produção com dados científicos que possam ajudar a identificar as características da carne e ampliar as possibilidades de comercialização.
Genética brasileira chega ao exterior
A expansão da raça também começa a ultrapassar as fronteiras brasileiras. Recentemente, um touro Longhorn foi enviado para uma central no Paraguai, na região do Chaco.
O movimento mostra o interesse pela genética desenvolvida no Brasil e amplia as possibilidades de utilização da raça em outros países da América do Sul.
Entre reprodução, cruzamentos e produção de carne, o Longhorn encerra a série especial mostrando que a pecuária também passa pela busca por novas combinações genéticas e por diferentes formas de agregar valor ao que é produzido no campo.