Campo Vivo

Probabilidade de El Niño sobe para 80% e acende alerta no agronegócio brasileiro

20 mar 2026 às 16:25

O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos elevou para 80% a probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño a partir de agosto deste ano. O anúncio coloca os produtores rurais brasileiros em alerta devido ao risco de instabilidade climática nas safras de 2026 e 2027. O fenômeno é causado pelo aquecimento gradual das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que altera a circulação atmosférica global e modifica o regime de chuvas em diferentes regiões do país.


O agrometeorologista Celso Oliveira explica que os efeitos variam conforme a localidade. As regiões Norte e Nordeste tornam-se mais propensas a períodos de estiagem severa, enquanto o Sul e o Sudeste devem registrar excesso de precipitações. No Paraná, a preocupação imediata recai sobre o milho safrinha, que pode sofrer com a irregularidade hídrica neste semestre, antes mesmo da consolidação do fenômeno.


A perspectiva de um clima excessivamente chuvoso preocupa, especialmente, os rizicultores da região Sul. O produtor rural Fábio Eckert afirma que o excesso de umidade é prejudicial ao desenvolvimento das lavouras de arroz, que demandam alta luminosidade. "O arroz é uma cultura que gosta de 'água no pé e sol na cabeça'. Portanto, ano chuvoso é sinônimo de produtividade baixa para o setor", diz Eckert. O segmento já enfrenta um cenário de preços baixos e custos de produção elevados.


Além do arroz, culturas como soja, milho e algodão podem ter o calendário de plantio comprometido pelo atraso na regularização das chuvas. Produtores monitoram as previsões diárias para planejar o manejo do campo diante da alternância entre períodos secos e tempestades volumosas. A instabilidade aumenta a incerteza sobre a rentabilidade das próximas safras, exigindo atenção redobrada quanto ao momento ideal para a semeadura e colheita.

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