Com a chegada do período de seca, produtores rurais de todo o país entram em estado de alerta para um dos maiores riscos dessa época do ano: as queimadas. Além dos danos às lavouras e à pecuária, os incêndios podem causar impactos ambientais, ameaçar a segurança das famílias e gerar multas para quem não adota medidas preventivas.
Em 2024, o Brasil registrou uma das temporadas mais severas de incêndios dos últimos anos. Foram cerca de 30 milhões de hectares queimados, volume aproximadamente 62% acima da média histórica, segundo levantamentos divulgados no período.
As imagens de propriedades atingidas pelo fogo mostram a dimensão dos prejuízos. Cercas completamente destruídas, árvores atingidas pelas chamas e uma grande cortina de fumaça no horizonte fizeram produtores correrem contra o tempo para tentar proteger animais, equipamentos, plantações e residências.
Em uma região de São Sebastião, no Distrito Federal, um incêndio provocado pela vegetação seca destruiu quase 40 pequenas propriedades rurais. O fogo avançou rapidamente pelo capim amarelado, que serviu como combustível para a propagação das chamas.
Além das perdas materiais, os moradores enfrentaram o medo pelos riscos à própria vida e à criação de animais. Em situações como essa, produtores podem perder estruturas, rebanhos e equipamentos em poucas horas.
Aceiros ajudam a impedir avanço do fogo
Para reduzir os riscos durante o período de estiagem, produtores rurais têm ampliado o uso dos aceiros, uma técnica preventiva que consiste na abertura de faixas de terra sem vegetação ao redor da propriedade ou em pontos estratégicos.
A medida funciona como uma barreira para diminuir a velocidade de propagação das chamas e facilitar o combate caso um incêndio tenha início.
Em propriedades rurais, o trabalho costuma ser realizado com auxílio de tratores, principalmente no início do inverno, quando a vegetação começa a ficar mais seca. Além de proteger a própria área, os aceiros também ajudam a preservar propriedades vizinhas.
A estratégia é considerada uma das principais ferramentas de prevenção, já que permite uma resposta mais rápida dos produtores e das equipes de combate ao fogo.
Agro reforça ações de prevenção contra incêndios
Diante dos prejuízos registrados nos últimos anos, entidades ligadas ao agronegócio têm reforçado campanhas e ações de prevenção para enfrentar o período crítico das queimadas.
Após os incêndios de 2024, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil estimou perdas próximas de R$ 15 bilhões para o setor agropecuário em decorrência dos incêndios.
Em algumas regiões produtoras, sindicatos rurais passaram a organizar estruturas de resposta, incluindo equipamentos terrestres e apoio aéreo para combater focos de incêndio.
Especialistas destacam que o produtor precisa estar preparado antes que o fogo apareça. Manter máquinas disponíveis, realizar a limpeza preventiva das áreas, criar aceiros e ter contato com equipes de apoio são medidas que podem reduzir significativamente os prejuízos.
Com a vegetação mais seca e o aumento das temperaturas, a orientação é que a prevenção seja prioridade no campo. Pequenas ações antecipadas podem fazer a diferença para evitar grandes perdas durante a temporada de queimadas.