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Resistência de plantas daninhas desafia produtores no campo

20 jul 2026 às 11:29

As plantas daninhas são um dos principais desafios enfrentados pela agricultura moderna. Elas surgem sem planejamento, competem diretamente com as culturas comerciais por água, luz solar e nutrientes do solo, além de favorecerem a presença de pragas e doenças nas lavouras.


À primeira vista, uma plantação pode parecer uniforme e saudável, mas uma análise mais próxima revela a presença de espécies consideradas grandes ameaças ao produtor, como o capim-amargoso e o caruru.


Mais do que simples mato, essas plantas são consideradas competidoras agressivas e podem causar impactos significativos na produtividade. Dependendo do nível de infestação, a chamada matocompetição pode provocar perdas superiores a 80% na produção de soja e milho. Em algumas situações, estudos apontam que os prejuízos podem chegar a 90% no rendimento das culturas.


Resistência aos herbicidas aumenta o desafio 

Durante muitos anos, o controle das plantas daninhas parecia uma tarefa mais simples. Com a chegada da tecnologia da soja RR, o uso do glifosato era suficiente para eliminar grande parte das espécies invasoras.


Com o uso repetitivo do mesmo princípio ativo, porém, a natureza passou por um processo de adaptação. Plantas mais resistentes sobreviveram e passaram a se multiplicar, criando um cenário mais complexo para os agricultores.


Atualmente, espécies como caruru, leiteiro, picão e outras plantas daninhas apresentam resistência a diferentes mecanismos de ação dos herbicidas. Por isso, o produtor precisa conhecer melhor a fisiologia e a morfologia das plantas invasoras, além de entender quais produtos apresentam maior eficiência em cada situação.


O avanço da resistência também já preocupa em diferentes regiões produtoras. Na região de Maringá, por exemplo, o capim-pé-de-galinha passou de uma espécie pouco relevante para uma das principais ameaças das lavouras nos últimos anos.


Para o produtor que não realiza um planejamento adequado, os prejuízos podem comprometer a rentabilidade da safra. Perdas de centenas de quilos por hectare podem representar uma redução significativa na margem de lucro, principalmente em períodos de maior dificuldade econômica.


Manejo integrado como caminho para controle

Diante desse cenário, especialistas destacam que a tecnologia precisa estar associada ao planejamento. O principal caminho indicado é o Manejo Integrado de Plantas Daninhas, uma estratégia que combina diferentes técnicas para reduzir a pressão das espécies invasoras.


O primeiro passo é conhecer a realidade de cada área, identificando o banco de sementes do solo e quais plantas estão presentes na lavoura. A partir dessas informações, o produtor consegue definir as melhores estratégias de controle.


Além do uso correto de herbicidas, o manejo integrado envolve práticas como o uso de plantas de serviço, rotação de mecanismos de ação e melhoria da tecnologia de aplicação, garantindo que o produto atinja o alvo correto e reduzindo problemas como a deriva.


O desafio, segundo especialistas, é constante, já que as plantas daninhas continuam evoluindo e se adaptando a cada ciclo agrícola. Por isso, conhecimento técnico, planejamento e acompanhamento profissional são fundamentais para manter a produtividade das lavouras.

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