O mercado de soja registrou forte volatilidade nesta semana após o anúncio de uma safra brasileira recorde, estimada em mais de 180 milhões de toneladas. Na última segunda-feira (16), os preços na Bolsa de Chicago sofreram um recuo abrupto de 70 centavos de dólar por bushel, atingindo o limite de baixa permitido para o dia. O movimento interrompeu uma sequência de altas iniciada em fevereiro, motivada por tensões no Oriente Médio e pela expectativa de compras chinesas nos Estados Unidos.
A queda refletiu a ausência de fundamentos sólidos para a valorização anterior. Embora o governo de Donald Trump tenha anunciado a intenção da China de adquirir 20 milhões de toneladas de soja americana, os embarques reais somaram apenas 28 milhões de toneladas na última semana — volume 11 milhões inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. O consultor de mercado Ismael Menezes, da AMD, explica que o mercado percebeu que o esperado choque de demanda não se concretizou.
A oscilação internacional impactou diretamente os preços no interior do Paraná. Na sexta-feira (13), a saca de soja em Cascavel era cotada a R$ 120, mas o valor despencou para R$ 112 na segunda-feira subsequente. Houve uma recuperação parcial ao longo da semana, e o preço encerrou esta sexta-feira (20) na casa dos R$ 117. Especialistas recomendam que os produtores aproveitem essas janelas de alta para garantir o pagamento dos custos de produção.
Atualmente, o índice de comercialização da safra 2025/2026 no Brasil atinge 37%. O setor alerta para a necessidade de avançar nas vendas, já que a oferta brasileira volumosa deve exercer pressão negativa sobre as cotações nos próximos meses. A orientação para quem possui pouca soja comercializada é priorizar a gestão de risco. "Melhor um pássaro na mão do que dois voando", afirma Menezes, ao destacar a importância de aproveitar as oportunidades de preços momentâneas.