Campo Vivo

Serra da Mantiqueira produz mil toneladas de queijo por ano

28 jun 2026 às 08:00

Entre montanhas imponentes, vales verdejantes e estradas sinuosas, a Serra da Mantiqueira resguarda uma das maiores riquezas gastronômicas e culturais de Minas Gerais: a produção de queijos artesanais. Moldado por saberes passados de geração em geração, o produto tornou-se um símbolo da identidade mineira. Atualmente, a região produtora é composta por 10 municípios, onde 180 agroindústrias familiares unem forças para entregar uma produção anual que já atinge quase mil toneladas da iguaria.


Essa história começou a ganhar forma com a chegada dos primeiros imigrantes italianos na região. O relevo montanhoso, o clima significativamente mais ameno e a altitude de 1.600 metros acima do nível do mar recriaram as condições ideais para que os colonos desenvolvessem suas receitas originais. Hoje, esse pedaço da Itália fincado em solo brasileiro evoluiu, ganhou características locais e consolidou uma assinatura própria. Os municípios compartilham o mesmo ecossistema e o mesmo método de fabricação do famoso queijo de massa cozida.


O retorno às origens e o orgulho do campo

A força dessa tradição também se move por histórias de resgate familiar. O produtor Henrique Lamim, criado no município de Virgínia, precisou deixar a vida no campo aos 13 anos junto com seus pais em busca de melhores oportunidades na área urbana. Contudo, a ligação com a terra natal permaneceu viva. Após 24 anos longe, aos 37, ele sentiu a necessidade de retornar às origens. Ao lado da esposa, estruturou um projeto de vida focado na estabilidade financeira por meio da produção leiteira e do queijo.


"O propósito era conseguir viver exclusivamente do queijo, e deu certo. Hoje, nós comercializamos nossos produtos com dignidade e muito orgulho. Para mim, é uma satisfação imensa quando um consumidor lá do Nordeste, de Brasília ou de Porto Alegre envia uma foto consumindo o nosso produto. É a realização de um sonho que meu pai não conseguiu concretizar", relata Henrique.


Ciência da maturação e receita patenteada

No Rancho Maranata, a excelência do produto final começa na escolha do rebanho. A propriedade trabalha com vacas da raça Jersey, animais de menor porte e temperamento dócil, amplamente reconhecidos na pecuária leiteira por gerarem um leite com maior teor de gordura e sólidos proteicos, ideal para a indústria queijeira.


A partir de uma matriz única de massa cozida, o produtor desenvolve quatro tipos distintos de maturação de queijos, processo que altera completamente o sabor, a textura e a intensidade do aroma de cada peça:

  • Maranata Jovem: comercializado com 30 dias de cura;

  • Capa Preta: maturação intermediária de 60 dias;

  • Maranata Bronze: processo estendido de 100 dias;

  • Maranata Ouro: o ápice do processo, com 270 dias (nove meses) de maturação em ambiente controlado.


Para proteger esse legado centenário construído pelas famílias da região, o processo de fabricação foi oficialmente caracterizado e a receita do Mantiqueira de Minas foi devidamente patenteada. A conquista confere proteção jurídica, denominação de origem e propriedade intelectual aos produtores locais. Pelas estradas da Serra, enquanto novas agroindústrias continuam a escrever diferentes capítulos dessa mesma história, o queijo artesanal mineiro segue conquistando paladares e mercados por todo o território nacional.

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