Há quase dez dias, o mundo acompanha com preocupação os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, seguidos por contra-ataques iranianos, elevando a tensão no cenário internacional.
A escalada começou no sábado, 28 de fevereiro, após o assassinato do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
Para analisar o cenário, o professor de Direito Internacional da PUCPR, Rudá Baptista, explica que o ataque inicial dos Estados Unidos pode ser considerado ilegal perante o direito internacional. Já o contra-ataque do Irã pode ser interpretado como legítima defesa, desde que limitado à contenção da agressão.
Segundo o especialista, o Conselho de Segurança da ONU tem pouca margem de atuação, já que os Estados Unidos possuem poder de veto como membro permanente.
O conflito já impacta países da região, como Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar, tanto economicamente quanto militarmente.
Apesar do potencial nuclear do Irã, o professor avalia que ainda não se trata de uma terceira guerra mundial, mas de um cenário de alta tensão e letalidade.
Os principais efeitos devem ser econômicos. Como o Irã controla rotas estratégicas de exportação de petróleo, responsáveis por cerca de 20% do mercado mundial, o conflito pode provocar aumento no preço dos combustíveis, afetando também o Brasil.
Na avaliação de Baptista, a ofensiva reflete uma política externa mais agressiva do presidente Donald Trump, baseada no uso de pressão militar para ampliar influência econômica e estratégica.