A queda da cobertura vacinal no Brasil tem contribuído para o retorno de doenças que já estavam controladas, como sarampo, coqueluche e meningite, elevando o número de internações infantis e acendendo um alerta entre profissionais da saúde. Segundo a pediatra Cristiane Nochetti Melo, a cobertura considerada segura pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) é de 95%, índice que, em 2025, foi superado apenas pelas vacinas BCG e hepatite B. Para a especialista, a redução da vacinação permite maior circulação de vírus e bactérias, deixando principalmente as crianças mais vulneráveis.
A médica afirma que a principal causa desse cenário é a queda na adesão às vacinas, impulsionada, em grande parte, pela desinformação e pela disseminação de fake news. Embora existam profissionais contrários à imunização, ela reforça que as vacinas são amplamente estudadas, continuam sendo monitoradas quanto à segurança e permanecem como a forma mais eficaz de prevenção. No consultório, segundo a pediatra, o medo dos pais está frequentemente relacionado a informações sem respaldo científico, motivo pelo qual recomenda buscar orientação com um pediatra de confiança ou nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Entre as doenças que mais preocupam atualmente estão o sarampo, devido à alta capacidade de transmissão, a coqueluche, que pode provocar quadros respiratórios graves em crianças pequenas, e a meningite, que pode evoluir rapidamente e deixar sequelas permanentes, como surdez, perda visual e alterações neurológicas, além de apresentar risco de óbito. A pediatra destacou ainda que, embora o Brasil tenha recebido certificação de eliminação do sarampo, casos importados continuam sendo registrados. Em junho, por exemplo, foram confirmados três casos da doença em crianças no estado de São Paulo.
Cristiane também reforça que a vacinação não termina na primeira infância e depende do cumprimento das doses de reforço previstas no calendário vacinal. Ela orienta que pais e responsáveis mantenham a carteira de vacinação sempre atualizada e procurem atendimento mesmo em casos de atraso, já que crianças saudáveis podem receber as vacinas pendentes. Para a especialista, além da imunização, as consultas de puericultura são fundamentais para acompanhar o desenvolvimento infantil e garantir que a proteção contra doenças seja mantida ao longo da vida.