A Comissão de Administração e Serviços Públicos da Câmara Municipal de Londrina está cobrando explicações formais da Prefeitura sobre a paralisação das obras de prolongamento da Avenida Constantino Pialarissi. O empreendimento, considerado estratégico para o desenvolvimento da mobilidade urbana da cidade, está em estado de total abandono desde dezembro do ano passado, segundo os parlamentares.
O projeto prevê a duplicação, pavimentação e drenagem da via, que fará a ligação entre os fundos da UEL (Universidade Estadual de Londrina) — retirando o fluxo de veículos da rodovia PR-445 — e a Avenida Mabio Gonçalves Palhano. O investimento inicial era de R$ 34 milhões, mas o montante atualizado já chega a R$ 37 milhões. Além de desafogar o trânsito local, a obra promete levar infraestrutura a uma região majoritariamente rural.
Prazos esgotados e sumiço de concessionária
De acordo com o vereador Chavão, membro da comissão, os problemas com o consórcio de empresas responsável pela execução do projeto começaram logo após o início dos trabalhos, em 2024.
Decorrido o prazo de seis meses de prorrogação, a comissão realizou uma vistoria técnica e constatou que o canteiro de obras está completamente parado. "A empresa desapareceu do local. O que vemos hoje é uma situação de total abandono e prejuízo para a cidade", lamentou Chavão.
Bastidores políticos e exoneração de secretário
O cenário de incertezas ganhou novos desdobramentos políticos nesta semana. A comissão parlamentar vinha mantendo diálogo com o então Secretário Municipal de Obras, Otávio Gomes. No entanto, durante o debate sobre a crise da avenida, os vereadores foram surpreendidos com a notícia da saída do secretário de sua função.
Além da mudança no secretariado, os membros da Câmara manifestaram forte descontentamento com o que classificaram como "desrespeito" por parte do Executivo e da concessionária.
Uma reunião havia sido agendada para a última terça-feira (9) com os representantes dos donos da obra para alinhar os motivos da paralisação e os próximos passos. Contudo, os vereadores foram barrados do encontro de última hora.
"Nós convocamos o debate, trouxemos para dentro da Casa, e fomos informados de que não poderíamos participar. É como organizar uma festa e não poder entrar nela", criticou o vereador.
A Comissão de Administração e Serviços Públicos informou que continuará exigindo transparência da Prefeitura e respostas claras da empresa responsável sobre a rescisão ou retomada do contrato.