O relato recente da apresentadora Ana Maria Braga sobre ter sofrido uma fissura na córnea após dormir com o ar-condicionado quente ligado ascendeu o alerta para os cuidados com a saúde ocular. De acordo com o oftalmologista Dr. Eduardo Pesarini, o equipamento - seja no modo quente ou frio - reduz drasticamente a umidade do ar, acelerando a evaporação do filme lacrimal. Como a córnea depende da lágrima para nutrição e oxigenação, o ressecamento contínuo causa pequenas lesões conhecidas como seratite por exposição, desencadeando dores intensas e lacrimejamento reflexo.
Essas fissuras expõem as terminações nervosas do olho, ativando o mecanismo de defesa do próprio organismo para tentar reidratar a superfície afetada. Para conter a lesão, o tratamento costuma envolver o uso de lágrimas artificiais, lentes de contato terapêuticas ou a oclusão temporária do olho, permitindo a regeneração do epitélio em cerca de 24 horas. Contudo, quando a exposição a ambientes climatizados, ventos fortes ou alta temperatura é constante, o problema pode evoluir para a síndrome do olho seco.
Além da climatização artificial, a rotina prolongada diante de telas digitais agrava o quadro devido à diminuição do reflexo de piscar, ato fundamental para espalhar a lágrima de forma homogênea. Para prevenir complicações crônicas e embaçamento visual, a principal recomendação médica é manter a lubrificação contínua com colírios sem conservantes indicados por especialistas, evitando a automedicação e garantindo a umidificação adequada dos ambientes.