Em média, quatro mulheres foram mortas por dia no Brasil no ano passado, o maior número desde 2015. O que mais chama atenção é que muitas dessas mortes aconteceram dentro da casa da vítima. O lugar que deveria ser um abrigo virou cenário de crime. Na maioria das vezes, o agressor era alguém conhecido: marido, ex-companheiro ou namorado. E quase sempre, o motivo se repete: a não aceitação do fim do relacionamento.
O feminicídio não começa com a morte. Ele começa muito antes e não se resume à violência física, mas principalmente à violência psicológica. Começa com controle, com mensagens exigindo explicações e ciúmes disfarçado de cuidado. Depois vêm as humilhações, os gritos, as agressões e o medo. Até que o ciclo se intensifica e o silêncio vira risco de morte. Romper o silêncio pode fazer a diferença entre viver ou se tornar estatística.