Vitrine Revista Londrina

Cardiologista explica riscos do uso de hormônios no fisiculturismo competitivo

28 mai 2026 às 17:14

O Vitrine Revista de hoje discute a fatalidade envolvendo o jovem fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, que sofria de cardiomiopatia hipertrófica e veio a óbito. O caso acende um alerta sobre os perigos da busca estética extrema, do fisiculturismo competitivo e do uso indiscriminado de substâncias anabolizantes e hormônios. Para debater o tema, o programa recebe o cardiologista Ricardo Rodrigues.


O especialista explica que o paciente já sofria de cardiomiopatia hipertrófica, uma doença genética estrutural que faz com que as paredes do coração sejam naturalmente mais espessas do que o normal. Segundo ele, o quadro também pode estar associado ao uso de substâncias químicas e hormônios, como testosterona e insulina, frequentemente utilizados para fins estéticos e competitivos. Essas substâncias não agem apenas nos músculos esqueléticos. Elas atuam de forma sistêmica, afetando órgãos como o coração e o fígado, além de aumentarem o risco de trombose.


O cardiologista destaca que o uso dessas substâncias força um coração que já possui predisposição genética ao espessamento a aumentar ainda mais de tamanho. Como a oferta de oxigênio e a irrigação sanguínea não acompanham esse crescimento muscular, o coração pode sofrer pequenos danos contínuos ao longo do tempo, conhecidos como “microinfartos”.


O profissional explica ainda que a insulina é frequentemente utilizada de maneira inadequada no meio do fisiculturismo devido ao seu alto poder anabólico. A substância facilita a entrada de glicose e água no músculo estriado, provocando o aumento do volume muscular.


No entanto, se o nível de glicose no sangue cair drasticamente devido ao uso incorreto da insulina, o indivíduo pode sofrer consequências graves no sistema nervoso central, incluindo tontura, confusão mental e até convulsões.

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