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Produtores de goiaba de Carlópolis realizam a primeira exportação direta para Europa

Com Indicação Geográfica (IG) e certificação GlobalGAP, produto avança em reputação internacional por qualidade e confiabilidade
30 nov 2025 às 10:15
Por: ASN

O primeiro lote da goiaba de Carlópolis exportado diretamente pela Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis (COAC) chegou à Europa nesta quinta-feira (20), por via aérea. Foram 420 kg de fruta fresca, marcando um avanço importante para a cadeia produtiva do Norte Pioneiro. O valor pago pela carga foi três vezes superior ao preço médio praticado no mercado interno, reforçando o potencial econômico da região quando atende rigorosamente às normas internacionais. Por questões contratuais, o país europeu que recebeu a remessa não foi divulgado.


A operação é considerada um marco porque foi realizada sem intermediários ou traders, modelo que reduz custos, amplia margem para os produtores e fortalece a estratégia de internacionalização da cooperativa. Mesmo com a exportação direta, os traders seguem como opção viável para futuras operações.


Reconhecida pela Indicação Geográfica (IG) e certificada pelo GlobalGAP (Good Agricultural Practices), a goiaba de Carlópolis cumpre padrões de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade exigidos pelos mercados mais competitivos do mundo.


“Esta é a primeira de muitas exportações diretas que virão pela COAC, pois tenho a certeza que é a melhor goiaba do mundo”, projeta Eduardo Brandão, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

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Eduardo conta que acompanha a evolução da produção e das certificações da cooperativa desde 2017, quando a goiaba de Carlópolis foi apresentada internacionalmente na edição da feira Fruit Attraction daquele ano.


“Desde o início, a qualidade da fruta e a organização da cooperativa já atraíram compradores. Inicialmente eles fizeram as vendas para o mercado externo por meio de traders, o que é o normal e deve continuar. Agora com a conquista da venda direta, a tendência é aumentar os lucros e, também, o número de produtores e da área de goiaba na região”, explica o diretor da Abrafrutas.


Inês Yumiko Sasaki, produtora rural e presidente da COAC, entende que a venda direta é um marco para os produtores.


“Era um desejo antigo nosso, porque aumenta a margem de lucro e, também, diminui o tempo de translado da fruta. Isso significa que o consumidor final vai poder comprar uma goiaba mais fresca e doce, porque vamos poder enviar a fruta em um ponto que consideramos mais próximo do ideal para o consumo”, detalha Inês.


Júnior Silveira, diretor da Xportare, empresa responsável por ser a facilitadora das vendas entre a COAC e o mercado europeu também comemora o feito.


“No início de outubro estávamos com a COAC na Europa. Fizemos cerca de 20 contatos durante a edição da Fruit Attraction deste ano em Madri. O pessoal da COAC voltou para casa com o compromisso de atender às necessidades desses compradores e pouco mais de um mês depois, eles já cumpriram o combinado e entregaram o primeiro lote de frutas”, salienta Júnior.


Qualidade


O diretor da Xportare conta que há anos sua empresa buscava produtores no Brasil que atendessem às exigências do mercado europeu.


“Além da qualidade da fruta, a COAC atende às rígidas normas de segurança e aos requisitos fitossanitários e de documentação específicos exigidos pela União Europeia”, pontua Júnior Silveira.


Para o consultor do Sebrae/PR, Odemir Capello, o resultado é fruto do trabalho de muitos parceiros. “Trabalhamos em conjunto para desenvolver o território. Ter participado das feiras internacionais, contar com o apoio da Abrafrutas e da Xportare é parte de uma estratégia firmada ao longo dos anos”, afirma.


A boa aceitação da goiaba de Carlópolis na Europa vem de um trabalho iniciado em 2015, no Norte Pioneiro, quando foi identificado o potencial produtor de goiaba na região.


“A parceria com a prefeitura da cidade, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), foi fundamental para capacitar os pequenos produtores para atingir uma fruta de qualidade internacional”, salienta Odemir.


Certificação


A GlobalGAP (Good Agricultural Practices) é um sistema de certificação voluntária que estabelece padrões internacionais de Boas Práticas Agrícolas que garante a segurança dos alimentos, a saúde e segurança dos trabalhadores e a proteção ambiental.


A IG reconhece e protege a origem de produtos ou serviços ligados a uma determinada região, destacando suas qualidades e características específicas. É uma forma de agregar valor e credibilidade a produtos e serviços, atestando sua procedência e vinculando-os à sua região de origem.


Já o termo “zero resíduo” é geralmente um rótulo comercial que indica um compromisso do produtor em garantir que o produto final contenha uma quantidade mínima ou inexistente de resíduos de defensivos agrícolas, cumprindo com critérios rigorosos que, muitas vezes, superam os requisitos legais básicos de segurança alimentar. Para a comercialização na União Européia, os níveis de resíduos de pesticidas precisam ser abaixo dos Limites Máximos de Resíduos (LMRs) detectáveis ou muito próximos de zero.


Para garantir a produtividade ao longo do ano, a COAC utiliza ainda técnica da chamada “poda escalonada”.

Na prática isso significa dividir a poda de frutificação da árvore em etapas, realizadas em intervalos de tempo diferentes. Em vez de podar todos os galhos de uma vez, apenas uma parte da planta é podada em cada momento, permitindo que a goiabeira produza frutos de forma contínua ao longo do ano.


Exportações via traders


A goiaba de Carlópolis já é comercializada na Europa desde 2020. Entre os anos de 2020 e 2024, a Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis (COAC) exportou mais de 340 toneladas de goiaba para o exterior, sendo a Europa o principal destino, por meio de intermediários.


“A diferença é que agora a cooperativa começou a fazer a venda direta para os compradores. Isso implica em uma vantagem financeira para os produtores e para a própria COAC, que passa a negociar e receber todo o lucro. Outra vantagem é que ao atender diretamente o comprador, eles podem adequar e atender ainda melhor às especificações de cada mercado”, explica Júnior Silveira, da Xportare.

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