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Líderes de Israel e EUA vão ao Egito para negociar plano de paz com Hamas

Proposta tem 20 pontos e pretende encerrar a guerra em Gaza e garantir a libertação dos reféns
06 out 2025 às 09:52
Por: Estadão Conteúdo via Band
Foto: Pixabay

Autoridades israelenses, americanas e representantes do grupo terrorista Hamas estão no Egito para negociar o plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A proposta tem 20 pontos e pretende encerrar a guerra em Gaza e garantir a libertação dos reféns.


O enviado americano Steve Witkoff e o genro de Donald Trump, Jared Kushner, também são esperados no Egito para essas tratativas. O Hamas aceitou na sexta-feira, 3, partes da proposta de Trump, e no mesmo dia o gabinete de Netanyahu afirmou que "Israel está preparado" para a implementação imediata da primeira fase do plano.


Apesar de ter concordado com a libertação dos reféns israelenses, várias questões continuam sem solução, como se o Hamas aceitará se desarmar - uma das principais exigências de Israel. O Hamas concordou também com uma das exigências vistas como mais trabalhosas do plano: aceitou abrir mão do poder na Faixa de Gaza e entregá-lo a um governo tecnocrático, como queria Trump. Mas o grupo terrorista afirma querer participar da "estrutura nacional palestina" que ajudará a formar esse governo, algo que não está previsto no plano de Trump.


O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, diz que espera o retorno de todos os reféns na Faixa de Gaza nos próximos dias.


Depois de uma reunião da cúpula militar na noite de sexta-feira, 3, o Exército Israelense anunciou que estava se preparando para a implementação da primeira fase do plano do presidente americano, Donald Trump, para Gaza - o que inclui a interrupção dos bombardeios.

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Mas neste domingo, 5, Gaza amanheceu com novas explosões, segundo agências de notícias. Autoridades da defesa civil palestina, controlada pelo grupo terrorista Hamas, afirmaram que ao menos 57 pessoas morreram. Aviões e tanques de Israel atacaram áreas na Faixa de Gaza e destruíram vários prédios residenciais, afirmaram testemunhas ouvidas pela agência Reuters.


Segundo a Reuters, as forças israelenses continuaram os ataques e orientaram os moradores de Gaza a não retornarem, afirmando que a região era uma "zona de combate perigosa".


Testemunhas afirmaram que, neste domingo, aviões de Israel intensificaram os ataques contra alvos em toda a cidade de Gaza. De acordo com a agência, as ações aconteceram após uma noite tensa no sábado, quando drones lançaram granadas em telhados de prédios residenciais e tropas explodiram veículos carregados de explosivos, demolindo dezenas de casas.


"Onde está Trump em tudo isso?", questionou o morador de Gaza Rami Mohammad-Ali, à Reuters. "As explosões não param, os drones jogam bombas por toda parte, como se nada tivesse acontecido. Onde está a trégua de que Trump nos falou?".


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no sábado que Israel havia concordado com uma "linha de retirada inicial" dentro de Gaza e que "quando o Hamas confirmar, o cessar-fogo entrará em vigor imediatamente".


Ainda assim, em uma postagem, Donald Trump agradeceu a Israel por ter suspendido temporariamente os bombardeios e afirmou: "Não tolerarei atrasos, que muitos acreditam que ocorrerão, nem qualquer resultado que coloque Gaza novamente como uma ameaça. Vamos resolver isso, rápido. Todos serão tratados com justiça".


Em entrevista ao site de notícias Axios, Trump disse que ligou para Netanyahu e disse ao primeiro-ministro israelense que esta é "a chance dele de vitória". O presidente americano afirmou ainda que Netanyahu "não tem outra escolha".


Mais tarde, Netanyahu falou pela primeira vez desde a resposta do Hamas na sexta. O primeiro-ministro disse que Israel está à beira de uma grande conquista e que espera poder anunciar aos israelenses nos próximos dias o retorno de todos os reféns, vivos e mortos em uma única fase, com as forças de Israel permanecendo no interior da Faixa de Gaza. Ele afirmou: "Em vez de Israel estar isolado, quem está isolado é o Hamas".


Netanyahu disse ainda que, na segunda fase, o Hamas será desarmado e a Faixa de Gaza desmilitarizada. "Isso acontecerá ou por meios diplomáticos, segundo o plano de Trump, ou militarmente, por nós", afirmou o primeiro-ministro.


Na sexta, o Hamas deu sinal positivo para dois pontos fundamentais da iniciativa americana: a libertação de todos os reféns e a transferência do poder na região para um conselho palestino, formado por nomes independentes e técnicos. Apesar do avanço, ainda existem divergências, e o grupo terrorista agora tenta negociar outros pontos do plano.


O Hamas quer participar da discussão sobre o futuro governo, mas a proposta americana prevê que eles não terão espaço. Um representante do grupo terrorista também disse em uma entrevista à Al Jazeera que eles só vão se desarmar depois de uma desocupação de Israel. Mas o acordo estabelece que o grupo terrorista deve se desarmar imediatamente e que a saída de Israel será feita em fases.


O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu afirmou, em um pronunciamento na TV, que o único motivo pelo qual o Hamas está disposto a libertar todos os reféns é a pressão militar e diplomática. Ele disse que espera o retorno de todos os reféns "nos próximos dias".


Ele também agradeceu ao apoio de Trump. "Nossa intenção, e a intenção de nossos amigos americanos, é concluir as negociações em questão de dias", anunciou. Ao mesmo tempo, alertou que não abrirá mão de desarmar o Hamas "seja por via diplomática, seja por via militar".


O Jihad Islâmico, um grupo armado aliado do Hamas que também mantém reféns, apoiou neste sábado a resposta do grupo ao plano dos EUA, num movimento que pode ajudar a abrir caminho para a libertação dos israelenses sequestrados. Já o chefe do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que o plano de Washington para um cessar-fogo em Gaza é "cheio de perigos", mas que a decisão de aceitá-lo caberia, em última instância, ao Hamas.

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