O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) decidiu, por unanimidade, manter o júri popular do médico Leonardo Guandalini, acusado de provocar um acidente de trânsito com morte em Londrina. A decisão rejeitou o recurso da defesa, que pedia a desclassificação do crime para homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e manteve a acusação por homicídio simples.
O caso ocorreu em maio de 2022, na rotatória das avenidas Maringá e Castelo Branco, e vitimou o marceneiro Mário Laurentino Lisboa, de 49 anos, que morreu ainda no local da colisão. Desde então, a esposa Raquel Lisboa e os filhos convivem com o luto e aguardam o desfecho judicial.
Segundo a perícia, Leonardo dirigia a mais de 118 km/h no momento em que atingiu o veículo da vítima. Depoimentos prestados à Polícia Civil relataram que o acusado havia consumido bebida alcoólica pouco antes do acidente. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro, foi preso em flagrante, mas acabou liberado após pagar fiança de R$ 20 mil.
À época, a Polícia Civil indiciou o motorista por homicídio culposo, porém o Ministério Público entendeu que houve dolo eventual, anexando ao processo imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e comprovantes de gastos em uma choperia pouco antes da colisão. A denúncia foi aceita pela Justiça, tornando Leonardo réu por homicídio doloso, crime que deve ser julgado pelo Tribunal do Júri.
Além do processo criminal, a Justiça já determinou, em agosto de 2024, o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 100 mil para cada familiar da vítima, totalizando R$ 300 mil, além de uma pensão mensal de cerca de R$ 930 para a família. No entanto, segundo Raquel Lisboa, os valores ainda não foram pagos.
Leonardo Guandalini Giovanini, que atualmente atua como médico em um hospital da região, responde ao processo em liberdade. A defesa ainda entrou com novo recurso, mas, se condenado pelo júri popular, a pena pode chegar a até 20 anos de prisão.