Em coletiva realizada na sede da 10ª Subdivisão Policial (SDP), nesta quarta-feira (28), a Polícia Civil (PC) dá detalhes sobre a investigação do ataque ao Colégio Helena Kolody, em Cambé, que levou a vida de Karoline Verri Alves e Luan Augusto da Silva no último dia 19.
Após o atentado, o autor foi preso e encontrado morto em sua cela na Casa de Custódia em Londrina, no dia 20. Outras quatro pessoas foram presas. O primeiro, preso em Rolândia, foi um jovem de 21 anos que teria participado diretamente, ajudando o atirador a planejar o ataque. O suspeito foi transferido ao Complexo Médico-Penal por ter atentado contra a própria vida.
Em seguida, um jovem de 18 anos foi preso em Gravatá, no interior de Pernambuco, suspeito de ser o mentor intelectual do atirador. Um homem de 35 anos foi preso por ter, supostamente, fornecido armas e munições ao atirador, na cidade de Rolândia, onde outro homem de 39 também foi preso por envolvimento.
"Hoje nós temos dois presos preventivamente: um jovem de 21 anos e outro de 18 anos, um de Rolândia e outro de Gravatá, que respondem, a princípio, por serem sujeitos ativos de dois crimes de homicídio qualificado. Nós temos, também, duas pessoas de 35 e 39 anos que estão presas temporariamente e, no momento, estão sendo investigadas por comércio ilegal de arma de fogo e das munições que foram utilizadas para a prática dos atos" relata o delegado de Cambé, Paulo Henrique Costa.
O delegado conta, ainda, que "o executor e o jovem de Pernambuco, começaram o contato por aplicativos na segunda quinzena de dezembro de 2021 e começaram a planejar ataques violentos contra a escola. O executor tinha o planejamento de cometer o ataque efetiva e exclusivamente no Colégio Estadual Professora Helena Kolody e, o jovem de Pernambuco, paralelamente, teria outro ataque, em outra cidade, ao mesmo tempo".
Paulo Henrique finaliza dizendo que conforme as investigações apontaram "ele tinha conhecimento dos fatos, de todos os meios (...) ele tinha todo domínio do que estava acontecendo".
Sobre as medidas de segurança no colégio, Amarantino Ribeiro, delegado-chefe da 10ª SDP, apontou que os alunos levaram pouco mais de um minuto para se proteger: "quando eles ouvem os tiros, eles demoram um minuto e quatro segundos para se esconder. Eles fazem o contrário: eles vão até a porta, ver o que estava acontecendo, e tornam-se alvos muito mais fáceis. Eles só conseguem se proteger no momento em que o atirador desfere tiros contra a porta; aí eles buscam a proteção".
Sobre o protocolo de segurança e proteção, Amarantino esclarece que "no momento do crime, é muito importante que todos busquem a proteção. Identificamos uma série de falhas, neste caso, apontadas pelas câmeras de segurança, que nós pretendemos, didaticamente, levar ao conhecimento dos diretores de escolas, disseminando esse conhecimento".
Conrado Scheller, prefeito de Cambé, parabenizou a PC pelo trabalho de ivestigação e demonstrou satisfação pelo resultado do trabalho: "estou satisfeito pela destruição dessa célula. As aulas voltaram, em Cambé, no momento em que percebemos que essa célula (da maldade) havia sido destruída".
Mesmo satisfeito, Scheller alerta que "é preciso chamar a atenção dos governos estadual e federal para o fato de que não basta subir muros e colocar detectores de metais: o crime migra, o bandido não é imbecil. O que chama atenção é a liberdade que esses jovens têm na internet".
A entrevista coletiva foi convocada para o fornecimento de novos detalhes e informações sobre o caso e os papéis de cada suspeito no crime.
Karoline Verri Alves morreu ainda na escola e Luan Augusto da Silva, morreu na madrugada de terça-feira (20), no Hospital Universitário. Os dois eram namorados há pouco mais de um ano.