Londrina vive a pior epidemias de dengue dos últimos 20 anos. São 15 mil casos confirmados da doença e 15 mortes. Outros 13 óbitos estão em investigação. A cidade ocupa o trágico primeiro lugar em mortes por dengue, em todo em País.
Em plena epidemia de coronavírus, com isolamento social e mais pessoas em casa, segundo a diretora de Vigilância em Saúde, Sônia Fernandes, as pessoas estão se esquecendo de cuidar dos próprios quintais. “A negligência está cobrando um preço alto. O que se observa pelo trabalho dos agentes é que o número de focos encontrados tem aumentado”, aponta.
Segundo Fernandes, um ponto negativo é que as pessoas acabaram se acostumando com a dengue e até com as mortes causadas pela doença. “As mortes por Covid-19 causam uma comoção social, mas quando fala-se que faleceu por dengue já não tem a mesma compaixão”, avalia.
FUMACÊ
Segundo a diretora de Vigilância em Saúde, Londrina ainda não recebeu o inseticida usado no caminhão do fumacê. O veneno distribuído pelo Governo do Estado é originalmente entregue pelo Ministério da Saúde. Ela aponta que a quantidade prometida entregue não será suficiente para todos os ciclos necessários na cidade.
“O que deve vir, cobriria apenas um ciclo em um quarto da cidade. Uma ação assim não é efetiva. No máximo socorreríamos um bairro ou dois, mas não vai dar fôlego pra trabalhar”, observa.
O ideal são três ciclos completos, com intervalo de 10 dias entre cada um. “Ainda assim, para fazer efeito é preciso que tenhamos outras medidas simultaneamente. Precisamos contar com a boa vontade da população. Fumacê sozinho não resolve a dengue em Londrina”.
Mudança nas vistorias
Sonia Fernandes explicou que por uma questão de segurança os agentes de endemias não entram mais em casas, para fazer vistoria, em que tenha pessoas com mais de 60 anos. A recomendação e para evitar o perigo de contágio pelo coronavírus na população de risco. “Também em razão da pandemia, só há vistoria nos quintais e não mais no interior das residências. Por isso, temos vários fatores que complicam a situação da dengue em Londrina. Por isso, fica então o apelo para que as pessoas voltem a olhar tudo nas casas e quintais e reduzir os possíveis focos”, alerta a diretora.