A população de Ibiporã atendeu o chamado, e o primeiro “bota-fora” contra a dengue de 2020 está sendo muito positivo, na avaliação da força-tarefa formada por servidores das Secretarias Municipais de Agricultura e Meio Ambiente, Obras, Saúde, e Samae, instituída em janeiro pela Prefeitura Municipal para tentar barrar a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.
Iniciado em 22 de janeiro, o mutirão de limpeza está sendo realizado nas regiões com maior número de infestação e de notificações de casos suspeitos de dengue - Vila Esperança, Jardins San Rafael, Pérola e Bom Pastor. Segundo a Secretaria de Obras, até agora cerca de 190 toneladas de materiais, tais como móveis, eletrodomésticos, material reciclável e entulhos em pequenas quantidades foram recolhidos. Mais de 100 caminhões de material sem serventia já foram retirados. No momento, a ação acontece em alguns bairros da zona sul, como o Kaluana e o Miguel Petri. “Além de a população estar mais preocupada e atenta por conta do aumento de casos da doença, o que colaborou para o sucesso da operação foi o trabalho de conscientização e orientação realizado previamente pelos agentes comunitários de saúde e de endemias com os moradores dos bairros, verificando possíveis criadouros do mosquito e solicitando às pessoas que deixassem os materiais nas calçadas para serem posteriormente recolhidos pelos caminhões da Secretaria de Obras para que seja dada a destinação correta dos resíduos”, aponta o coordenador da Divisão de Endemias, Aldemar Galassi.
Outro fator, acrescenta Galassi, foi a publicação do decreto nº10, de 17 de janeiro de 2020, o qual prevê que “nos estabelecimentos de maior complexidade ou acúmulo de materiais criadouros de mosquito, o proprietário do imóvel em questão será notificado para que, em até 72 horas, providencie as ações necessárias a eliminar os focos e, em caso de descumprimento, será punido com multa no valor de R$ 70,00 a R$ 350,00, exigida em dobro na reincidência, nos termos do artigo 16, da lei Municipal nº. 2.206 de 10 de setembro de 2008” (Código de Posturas do Município de Ibiporã). “Desde que as alterações entraram em vigor, as notificações vêm sendo respondidas no prazo e nenhuma multa foi aplicada. Apenas uma foi emitida nos primeiros dias do ano, antes das mudanças”, informa o coordenador de Endemias. Antes do decreto, o munícipe tinha até 40 dias para retirar os focos do mosquito do imóvel após ser notificado.
Além dos mutirões de limpeza, a Secretaria de Obras intensificou o serviço de capina e roçagem em toda a cidade. O número de equipes aumentou de duas para três para executar o corte do mato em terrenos e espaços públicos do município, tais como escolas, CMEIs, UBSs, ginásios e quadras esportivas, além de canteiros de avenidas, praças e rotatórias no centro e nos bairros.
Para conter o avanço da dengue, a Secretaria de Obras também notificou os proprietários de terrenos não roçados para dentro de um prazo de 15 dias regularizem a situação. Caso não cumpra a determinação, a Prefeitura executará o serviço, e o dono do terreno pode ser multado em até R$700,00.
Risco de epidemia
Com um aumento significado no número de notificações e casos positivos da doença nos últimos dias, Ibiporã está próximo de entrar em epidemia de dengue. Conforme o último boletim epidemiológico, divulgado nesta segunda-feira (03) pela Secretaria de Saúde, no período de 28 de julho de 2019 a 3 de fevereiro de 2020, foram notificados 1.420 casos de dengue, sendo 136 positivos, todos autóctones, ou seja, contraídos no próprio município. A incidência de casos, até o momento, é de 259,76/100.000 habitantes, estando o município em alerta para epidemia. O surto é confirmado depois que a cidade aponta, proporcionalmente, mais de 300 casos por 100 mil habitantes. “Dentre os casos confirmados, sete são de dengue tipo 2, considerado um dos sorotipos mais agressivos. Temos em Ibiporã a circulação dos subtipos 1 e 2 da doença. Pessoas infectadas por subtipos diferentes em um período de seis meses a três anos podem ter uma evolução para formas mais graves da dengue”, alerta a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Vanessa Luquini.
“Alertamos toda a população para a necessidade de intensificar os cuidados com a dengue, fazendo uma limpeza mais criteriosa dos quintais, ambientes internos das residências e das empresas privadas e públicas, pois o período de maior transmissão da dengue ainda não chegou (entre fevereiro e março). Em 10 minutos já é possível eliminar os criadouros. Onde tem água parada pode ter dengue e a doença pode matar”, ressalta o prefeito João Coloniezi.
Falta do inseticida
De acordo com Galassi, Ibiporã ainda aguarda o envio do inseticida Cielo (praletrina e imidacloprida). O produto substituirá o Malathion nas ações conhecidas como fumacê, visto que o mesmo, segundo o Ministério da Saúde, não tem mais se mostrado eficiente porque o mosquito já está resistente ao insumo. “A promessa do Ministério da Saúde era entregar o produto para os Estados este mês. Porém, entrei em contato hoje com a 17ª Regional de Saúde e não tinham previsão de quando ele chegará”, comentou o servidor.
Sintomas
A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é que aos primeiros sintomas de dengue (febre alta, dores articulares, musculares e de cabeça, manchas avermelhadas na pele e indisposição), e chikungunya (febre, dor de cabeça, mal estar, dores pelo corpo e muita dor nas juntas) a pessoa se dirija à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência para que o diagnóstico inicial e a notificação sejam feitos. Normalmente, os sinais de alarme ocorrem entre o terceiro e quinto dia, esse é o chamado período crítico para dengue. Tratado com hidratação e medicação sintomática corretamente, a maioria dos casos evolui para cura.
Com assessoria prefeitura de Ibiporã