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Engenharia para a vida

11 dez 2019 às 08:32
Por: Redação Tarobá News

Neste dia 11 de dezembro comemoramos o Dia do Engenheiro. São 86 anos desde a regulamentação dessa profissão que escolhi para minha vida, na década de 1980. Mesmo com mais de 30 anos de atuação, ainda me surpreendo com os avanços e inovações que estão ligados às engenharias, que têm em comum a missão nobre de promover melhorias para nossa sociedade, a partir de conhecimento e técnicas aplicadas.

Tenho visto histórias de vida e o reflexo das transformações de nosso mundo por meio dessa profissão. E o Paraná tem sempre um capítulo de destaque nessa trajetória da engenharia - por exemplo, quando teve a primeira engenheira civil do Brasil, Enedina Alves Marques, dando início a um processo de igualdade de oportunidades para homens e mulheres. Formada em 1945 e reconhecida como uma das maiores engenheiras do país, Enedina tem em sua trajetória obras grandiosas como a usina Capivari-Cachoeira, em Antonina, considerada a maior central hidrelétrica subterrânea do sul do país.

Ainda antes dela e até mesmo antes da regulamentação da profissão em 1933, tivemos muitos engenheiros formados pela então Escola de Engenharia criada em 1912, passando depois para Faculdade de Engenharia e finalmente integrando a grade de cursos ofertados pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Por muito tempo, o Paraná foi o responsável pela formação de muitos engenheiros em toda a América Latina, que era carente de oferta de cursos nessa área. Até 1970, por exemplo, só havia a formação de engenheiros no Paraná na nossa capital, sendo o início dos anos 70 do século XX o marco de expansão de escolas de engenharia no interior, inicialmente em Londrina, Maringá e Ponta Grossa.

A escassez de oferta fez com que nosso Estado atraísse mentes brilhantes e desenvolvesse líderes de visão e ação, como o engenheiro civil Bento Munhoz da Rocha Neto, que além de ter sido considerado uma referência nessa área, tornou-se um dos mais importantes governadores do Estado, responsável pelas obras do Centro Cívico em Curitiba, com a edificação do Palácio Iguaçu, do Palácio da Justiça, da Biblioteca Pública do Paraná e do Teatro Guaíra, além de ser um dos fundadores da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel).

Hoje, a engenharia segue formando líderes que transformam nossas cidades, nossos campos, nossas casas, promovendo o desenvolvimento e o processo de melhoria contínua em nossas vidas, em nosso planeta. Só no Paraná, são cerca de 83 mil engenheiros registrados, trabalhando pelo progresso acelerado que temos visto em nosso dia a dia. Com apoio de muita inovação, situações que costumavam ter soluções morosas e dispendiosas são tratadas com a velocidade e a sustentabilidade que essa nossa era digital pede.

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A energia limpa, que substituirá o uso de petróleo, será realidade em 15 anos. Segundo a consultoria britânica Wood Mackenzie, 2035 será o ano de virada, em que as fontes renováveis de energia – eólica, hídrica, solar – serão prioritárias em qualquer área, do transporte, passando pelo comércio, construção, até a indústria. Para haver condições de mercado para essa transformação, os engenheiros têm trabalhado em soluções mais inovadoras e disruptivas que em qualquer outro momento de nossa história.

Na construção civil, são as construtechs (startups do setor) que estão revolucionando o jeito de construir e de morar, com sistemas de chave digital, montagem de casas e prédios com processo industrial e tantas outras alternativas que mudarão para sempre  esse setor.

As transformações são rápidas. A engenharia caminha na mesma velocidade da revolução  4.0 que está impactando nossa existência e nosso jeito de viver. Os engenheiros que não  integrarem as novas tecnologias a suas entregas ficarão obsoletos. Mas há uma questão  central que não mudou, nem mudará jamais, não importa a velocidade que o mundo estiver girando: é a essência da engenharia, de qualquer engenharia, que é e pra sempre será a qualidade de vida do ser humano em nosso planeta . Tem sido assim desde o início dessa profissão e enquanto houver vida, haverá um engenheiro para  que ela seja aproveitada em seu melhor.

Engenheiro Civil Ricardo Rocha – Presidente do Crea-PR

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