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Há 18 anos dentista contribui com tratamento penal na Penitenciária Industrial de Cascavel

28 set 2019 às 06:59
Por: Redação Tarobá News

Nas últimas décadas muita coisa mudou no Departamento Penitenciário do Paraná. O sistema ganhou uma nova roupagem, foi modernizado, evoluiu e acompanhou novas normas e diretrizes.

E o que também aumentou foi a dedicação de muitos profissionais, entre eles, o dentista Alexandre Almeida Webber, que há 18 anos dedica seu tempo ao tratamento penal na Penitenciária Industrial de Cascavel (PIC).

O ano era 2001 quando Alexandre iniciou os trabalhos na unidade. Em 2003 se tornou professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e passou a dividir o tempo entre lecionar e atender na penitenciária.

Logo a experiência permitiu um projeto de extensão da universidade trazendo ainda mais comprometimento aos atendimentos ofertados aos presos.

Em 2007 a clínica odontológica da PIC passou a integrar os estágios curriculares da graduação da Unioeste. A atividade é obrigatório aos estudantes do 5º ano. São cerca de 40 universitários, divididos em grupos, que supervisionados pelo Dr. Webber, duas vezes na semana, atendem às demandas odontológicas da penitenciária.

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“A realidade da saúde bucal em uma unidade prisional é bastante diferente da população em geral. Muitos presos nunca tiveram acesso a um dentista, por isso, o trabalho se faz importante, além de contribuir com uma questão de saúde pública, oportuniza atendimento a quem precisa”, explica o dentista.

As consultas resolvem problemas básicos como simples limpezas ou restaurações e até devolvem o sorriso para quem um dia nem imaginou ter todos os dentes de volta.

“Voltamos, recentemente, a confeccionar próteses dentárias aos presos que necessitam. Em menos de um mês já são sete”, explica o dentista.

Aos 36 anos, condenado pelo crime de tráfico de drogas, um dos contemplados com a prótese, não hesita em sorrir e falar da importância de ter os dentes novamente.

“Perdi 08 dentes com 26 anos, de lá para cá, me acostumei, sorria com vergonha. Hoje, vejo que o sorriso, é muitas vezes a porta de entrada das oportunidades no mundo lá fora. Sei que tudo isso fará uma grande diferença na minha vida”, conta o preso prestes a progredir de regime e deixar o Sistema Penitenciário.

Para o diretor da unidade, Henrique Dondoni, uma ação simples, mas que contribui para o tratamento penal.

“Essas iniciativas de proporcionar os atendimentos médicos e odontológicos são muito importantes para a população carcerária e desta forma cumpre-se os preceitos da Lei de Execução Penal realizando um tratamento penal de qualidade e assim contribuindo para a ressocialização”


Estrutura

O ambulatório odontológico da PIC tem capacidade para atender dois presos simultaneamente. Possui aparelho para radiografias simples e insumos para atendimentos básicos, como extrações, por exemplo.

São cerca de 15 atendimentos odontológicos semanais e o número varia quando há casos de emergência, que fogem da rotina da agenda.

“Não temos dúvidas de que quando possibilitamos esse atendimento básico dentro da unidade, economizamos verbas públicas gastas com tratamentos longos, fora da unidade, ou até mesmo com escoltas que são necessárias quando não há o atendimento na unidade”, explica o coordenador regional do Depen, Thiago Correia.


Histórias e sorrisos


Tantos anos dedicados ao atendimento se somam aos inúmeros sorrisos reconstruídos e as histórias marcantes, revela Dr. Webber.

“Uma vez eu estava na rodoviária de Cascavel e encontrei um rapaz que eu atendi dentro da unidade. Ao me ver, ele veio até mim, abriu a boca e bateu nos dentes da frente mostrando a prótese que fizemos dentro da penitenciária. Ele ainda disse que estava cuidando dos novos dentes”, contou.


Convênio de trabalho


Os projetos conjuntos entre a unidade e a universidade já são de longa data. Além da parceria no atendimento odontológico, a Unioeste também é campo de trabalho externo aos apenados da PIC.

Atualmente 06 presos auxiliam nas atividades rotineiras no Campus de Cascavel. Já no Hospital Universitário do Oeste do Paraná, aproximadamente 15 apenados trabalham todos os dias.

"Projetos e parcerias que mostram a importância de fazermos um trabalho conjunto onde todos ganham. A sociedade, o detento e o Depen", finaliza Dondoni.

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