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Dólar tem maior queda semanal desde setembro de 2018 com política e exterior

22 mai 2020 às 18:17
Por: Estadão Conteúdo

O dólar fechou a semana acumulando queda de 4,44%. Foi o maior recuo desde a semana de 30 de setembro de 2018, quando caiu 4,81%. O pregão da sexta-feira foi todo marcado pela expectativa da decisão do Supremo sobre a divulgação do vídeo da reunião de Jair Bolsonaro e seus ministros em 22 de abril, que deixou o mercado cauteloso e oscilando perto da estabilidade nesta tarde. Às 17 horas, o Supremo autorizou a divulgação, mas a reação imediata no câmbio foi modesta, com as mesas ainda avaliando o conteúdo do vídeo. Nos pregões anteriores, a menor tensão política e o exterior favorável ajudaram a retirar pressão do câmbio. Com isso, o real teve o melhor desempenho semanal ante moedas emergentes.

As mesas de operação já começaram a sexta-feira na expectativa pela decisão sobre o vídeo e o volume de negócios ficou abaixo da média pela manhã. Declarações do diretor do diretor de Política Econômica do Banco Central, Fábio Kanczuk, de que a instituição está "muito bem preparado" para corrigir distorções no mercado de câmbio, principalmente pelo nível das reservas internacionais, ajudaram a retirar pressão no câmbio, ecoando o que o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, havia dito na noite de quarta-feira. Nesta sexta, o dólar à vista fechou praticamente estável (-0,04%), a R$ 5,5797. O dólar para junho caia 0,34%, a R$ 5,5370 às 17h35.

Os estrategistas em Nova York do Citi avaliam que o vídeo da reunião ministerial citada pelo ex-ministro Sergio Moro potencialmente cria elementos para um processo de impeachment de Bolsonaro, por isso a expectativa. Sobre o clima mais ameno entre Bolsonaro, o Congresso e os governadores podem não durar muito, considerando a rápida disseminação do coronavírus no País.

No exterior, o clima também foi de cautela, após a China apresentar a controversa Lei de Segurança Nacional para Hong Kong, na abertura do Congresso Nacional do Povo. Washington se posicionou contra e o dólar se fortaleceu.

"A China confrontou Trump com a decisão de Hong Kong e levou os investidores a buscarem segurança no dólar", afirma o analista de moedas do Western Union, banco especializado em transferências internacionais, Joe Manimbo. O índice DXY, que mede o moeda americana ante divisas fortes, operou o dia todo em alta e chegou perto do nível de 100 pontos. Nos emergentes, o dólar subiu ante a maioria, com uma das poucas exceções ficando com o México, onde caiu 0,47% hoje.

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