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Economia

Ibovespa fecha perto da estabilidade, mas perde 4,5% na semana

17 mai 2019 às 18:50
Por: Estadão Conteúdo

Depois de ter subido até 1,44% pela manhã, numa tentativa de recuperar perdas recentes, o Índice Bovespa perdeu força no período da tarde, sucumbindo às diversas incertezas do cenário nesta sexta-feira, 17. A busca por posições defensivas manteve o investidor retraído o principal índice da B3 ficou praticamente estável (-0,04%), aos 89.992,73 pontos. Assim, renovou o piso do ano e encerrou a semana com perda acumulada de 4,52%.

O ambiente político conturbado foi o principal fator negativo do dia, afirmam analistas e operadores de ações. Continuaram no radar a percepção de desgaste do governo Jair Bolsonaro e as dúvidas quanto à capacidade do governo de obter apoio à reforma da Previdência, em meio à deterioração dos indicadores econômicos. O cenário internacional também deu contribuição importante ao mau humor do investidor, com novos sinais de intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

"No Brasil, a frente política se mostra em guerra, num ambiente bastante conturbado. Lá fora a situação não ajuda, com os chineses mostrando que não estão interessados em retomar as negociações com os EUA. Era um cenário que já estávamos monitorando e parece se confirmar", disse Rafael Passos, analista da Guide Investimentos.

Passos chama a atenção para o comportamento negativo das ações de empresas estatais, importantes termômetros do risco político doméstico. Ele afirma que a aversão ao risco fica clara quando se observa o desempenho de papéis como Banco do Brasil ON (-1,73%), Petrobras PN (-2,33%) e Eletrobras ON (-1,35%). No caso das ações do BB, a queda acumulada na semana somou nada menos que 10,59%, mais que o dobro da variação do Ibovespa no período.

Para Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Ideias de Investimento, o evento mais crítico da semana foi a derrota do governo no caso da convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para explicar no plenário da Câmara o contingenciamento de custos no ministério. As manifestações populares em protesto contra os cortes, na mesma quarta-feira em que o ministro falou aos parlamentares, completaram o cenário negativo para o presidente Jair Bolsonaro, que chamou os manifestantes de "idiotas úteis".

"Volatilidade é o nome do jogo. O que estava estranho no início do dia era a bolsa subir, em um dia de alta firme do dólar, com incertezas aqui e lá fora", disse Guimarães. Segundo ele, o mercado também reagiu mal à declaração de Bolsonaro sobre a Petrobras. Em sua tradicional "live" no Facebook, na quinta, o presidente disse que poderia rever a política de preços se não houver prejuízos para a estatal. Petrobras PN e ON terminaram o dia com perdas de 2,33% e 0,79%, nesta ordem, contando também com a influência das quedas do petróleo no mercado internacional.

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